quarta-feira, 16 de agosto de 2017

45 Minhas memórias da Igreja de Olinda e Recife 45

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                                                   com D. Gílio na primeira Jornada Teológica

45 Minhas memórias da Igreja de Olinda e Recife 45




D. Cardoso era naquela época um homem de hábitos estranhos. 
Adorava café, porém só o bebia até meio-dia pois dizia que se tomasse após esse horário não teria sono. Mantinha um exemplar do meu livro "Réquiem para um Bispo" na estante da sua sala no Palácio dos Manguinhos, e aliás, havia também um exemplar no Colégio Pio Brasileiro em Roma.
Mais estranho ainda, o nosso bispo só tomava cerveja quente (ao natural). Uma vez voltando de carro de uma viagem longa do interior de Pernambuco, se não me engano de Afogados da Ingazeira, pararam no meio do caminho, num bar desses de beira de estrada, já de tarde, muito calor, com fome e sede, e ele se dirigiu ao garçom "me traga uma cerveja, só se estiver quente, a mais quente que o senhor tenha", o garçom ficou pensando tratar-se de alguma brincadeira, mas ele insistiu seriamente. Pois bem, trouxeram-lhe uma cerveja bem quente e ele tomou. A pessoa que estava com ele perguntou por que ele gostava de cerveja quente, a resposta foi a mais inusitada possível "eu aprendi com os animais. Quando eu era bispo de Paracatu, depois do almoço eu me sentava no terraço e via os bois vindo beber água nas poças da rua em frente de casa".
Seus bispos auxiliares D. Hilário Moser (salesiano) e D. João Terra (jesuíta)  não aguentaram muito tempo a companhia. O primeiro mudou-se logo para o seminário e vivia humildemente longe de D. Cardoso. Certa vez fui buscá-lo para um encontro de Igreja e fui abrir a porta do meu carro, ele me disse "meu filho, não precisa, eu sou simples, lavo meu próprio banheiro..." sofreu muito aqui. Depois foi ser bispo na diocese de Tubarão em Santa Catarina.
A irmã de D. Cardoso chamada Judite era quem administrava o Palácio e as más línguas diziam 'a Arquidiocese'.
O caso de D. João Terra é mais complexo e merece uma narrativa mais completa.

domingo, 13 de agosto de 2017

44 Minhas memórias da Igreja de Olinda e Recife 44



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Félix no lançamento







Edmílson, Patrícia e Débora



44 Minhas memórias da Igreja de Olinda e Recife 44



Réquiem para um Bispo, foi o título do livro que lancei em 1997. Meu segundo livro. Foi lançado na Bienal Internacional do Livro aqui em Pernambuco, no Centro de Convenções. Qual não foi a minha surpresa com o presente que Pe. João Pubben me deu: primeiro que qualquer um, antes mesmo de iniciar estava lá Pe. João e D. Helder para comprar o primeiro e segundo livro ! Muita emoção. Pena que não tenho nenhuma foto desse encontro. Muita honra e alegria.
Esse livro passei mais ou menos  uns dois anos para escrevê-lo. Inspirei-me em histórias reais de pessoas amigas e outras nem tanto e teci uma trama, contada em quatro níveis de entendimento.
Pode-se ler apenas como um romance novelesco, pode-se ler pulando os capítulos as histórias das personagens, pode-se ler ainda como uma discussão filosófica e ainda como um pequeno tratado de visões teológicas.
Padre Arnaldo disse que o padre Daniel Lima o leu o o considerou excelente (nunca o conheci pessoalmente). Essas personagens do livro são todas baseadas na realidade, como já disse, a maioria já está no aconchego do Pai. Lá estão inspirações de D. Helder, D. José Cardoso, D. Francisco Austregésilo, D. José Maria Pires, Luiz Antonio, frei Aluizio (que escreveu uma belíssima contra-capa), Edmilson Furtado, Fernandinho, Antonio e Helena, Ivone Gebara, Strieder, o pessoal do Igreja Nova, minha sogra, esposa, filhos, Reginaldo Veloso, Paulo Teles de Menezes, o pessoal do Morro da Conceição, D. Paulo Evaristo Arns, dos vigários de D. Cardoso, de Romeu, Edwaldo, Arnaldo, José Augusto, Cremildo o eterno monsenhor, D. Abade....
A história se inicia com o falecimento de minha sogra e termina com o nascimento da minha filha. Há um fio de narrativa que consiste na obsessão pastoral e administrativa de D. Acab (o arcebispo da história) querer construir na igreja de Olinda e Recife um grande cemitério... um padre pensou que era verdade e veio me perguntar se D. Cardoso estava querendo mesmo construir um cemitério exclusivo para católicos praticantes... ri muito.


sábado, 12 de agosto de 2017

43 Minhas memórias da Igreja de Olinda e Recife 43



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43 Minhas memórias da Igreja de Olinda e Recife 43



Continuando com a reflexão anterior, no dia 28 de agosto de 1999 cheguei pela manhã na Igreja das Fronteiras e havia muita gente já ao redor do esquife do Dom que estava perto do altar.
Vou postar minhas fotos pessoais:




Ao centro está Maninha (Nair Camara), à direita Irmã Catarina e à esquerda Zezita.

A igreja das Fronteiras já estava cheia desde essa hora:



Lá fora na rua Henrique Dias também começava a se aglomerar seus admiradores:



O cortejo fúnebre saiu à tarde, com o pessoal indo a pé na sua maioria, pela Rua D. Bosco, Av. Agamenon Magalhães, Olinda até a Sé.





Ao chegar na Catedral da Sé houve um pequeno contratempo pois nem todos puderam ver o sepultamento de perto devido a total falta de espaço. Apenas algumas pessoas. Notem que o caixão foi envolto com a bandeira do MST:



Posso identificar o padre Josenildo em primeiro plano e lá atrás Pe. Albérico, mas foi grande a quantidade de padres e religiosos, leigos, diáconos, mesmo aqueles que o perseguiram, D. Helder conseguiu unir a todos.

Estive no seu sepultamento (no chão da nave central em frente ao altar) e na sua exumação (26 de agosto de 2012) para o traslado de seus restos mortais para seu túmulo definitivo na mesma Sé de Olinda ao lado de D. Lamartine e do Pe. Henrique.

Registro minha eterna gratidão a D. Fernando Saburido, quando atendendo a um pedido, permitiu que a lápide que esteve tantos no primeiro sepulcro fosse levada para o jardim interno da Igreja das Fronteiras, um local que o Dom tanto apreciava e onde passou bons momentos de sua vida em oração e reflexão.





sexta-feira, 11 de agosto de 2017

42 Minhas memórias da Igreja de Olinda e Recife 42

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42 Minhas memórias da Igreja de Olinda e Recife 42



Participava tanto de encontros de grupos da teologia da Libertação quanto de Oficinas de Oração, Renovação Carismática, Encontro de Casais com Cristo. Boas amizades em uma caminhada constante. Cito Tarso e Zeza, Raimundo e Emília, Leonardo e Guilhé, Fred e Vilma, Bravo e Taciana, Oreste e Ana, Otávio e Virgínia, Mauro e Jaciara, Toni e Flávia, Newdão e Cândida, Zimone e Socorro.
Logo após a II Jornada D. Helder faleceu.
Quando cheguei às Fronteiras já estava muita gente na igreja com o velório ao centro. Há pouco tempo procurei averiguar com testemunhas presenciais os últimos momentos do Dom aqui na Terra, pois cada um conta uma história diferente e sempre diz estar presente nessa hora. Vou transcrever o artigo:
“Hoje é 27 de agosto de 1999. Pe.  Joãzinho  (João Pubben CM) acabou de sair para sua comunidade de Dois Unidos. Esteve aqui comigo, como sempre, quase o dia todo. Irmã Catarina (Catarina Damasceno FC) saiu para descansar. Pela manhã olhou para mim e eu olhei para ela, demoradamente. Estou sem falar. Não aceitei alimento algum. Alguma dor no abdômen que me incomoda. Ela disse a mim –Contou uma história não foi Dom? aí eu respondi ‘ FOI’. Essa foi a última palavra que disse, na minha última manhã. Agora é noite. Está tarde. Estou sereno. Minha cama foi colocada aqui na sala da minha casa na sacristia da Igreja das Fronteiras. É uma cama larga, de hospital. Quero dormir. Ao meu redor pessoas queridas, Zezita, minha cara secretária de tantos momentos (Maria José Duperron Cavalcanti), as irmãs de Caridade Maria José Dantas Coutinho, Leonete Custódio, Josefina Souza, Maria de Fátima Nascimento, Lucimar Pereira, Maria Emília de Barros, o enfermeiro e Gercino Rufino de França.
É noite e estou cansado. Irmã Josefina me pede para lembrar junto ao Pai, da Congregação das Filhas de Caridade, das irmãs, de todos. Como iria esquecer? Ah meus pobres, meu pobres. Catarina chega e está pedindo para levantar um pouco a cama. Rezam um Pai Nosso. Agora é noite. Já é 22h e 19m.”
Quando D. Helder abriu os olhos foi no Dia pleno.
Aqui, na nossa madrugada, Pe. João voltou correndo de Dois Unidos. Lucinha Moreira retornou apressadamente. Na Igreja da Sé em Olinda, Gilvan tocou o sino e avisou as pessoas que acorreram para ouvir a notícia ‘Dom Helder acaba de morrer’. Em seguida trouxe os paramentos que Paulo VI havia presenteado ao Dom para vesti-lo. Pe. Edwaldo Gomes chegou primeiro às Fronteiras, Pe. João Pubben em seguida e Pe. José Augusto Esteves. Mardônio Camara e Maninha (Nair Camara) que foi trazida às pressas do Rio, onde morava, haviam assinado um documento no qual expressavam formalmente o desejo de D. Helder de ser enterrado no mesmo dia e da maneira mais simples. Quando ela chegou pediu para ficar com o terço que estava na mão do Dom e que fora um presente de João Paulo II e entregou o seu próprio para por no lugar.
Quando cheguei, logo cedo, uma verdadeira multidão já estava na Igreja das Fronteiras e em toda a rua.
A missa foi celebrada por Jesus e presidida pelo Núncio.
Aqui a madrugada continua.


quinta-feira, 10 de agosto de 2017

41 Minhas memórias da Igreja de Olinda e Recife 41


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41 Minhas memórias da Igreja de Olinda e Recife 41


Em 1999 realizamos a II Jornada Teológica, desta vez em diante chamada de D. Helder Camara.
Mais uma vez Frei Aluizio conseguiu o auditório da Fafire, na Conde da Boa Vista. Como da primeira vez foi um sucesso, tanto de público e principalmente de conteúdo. Ali a Igreja de Olinda e Recife reacendia sua luz. Foram em média mais de quinhentas pessoas por noite.
Eu havia começado a pensar nela um ano antes, desde o início da primeira. 
O nome de D. Helder abriu portas. Consegui patrocínio através do Frei, de João Pubben, Pe. Arnaldo, Pe. Renato do SCJ. 
D. Helder não pode comparecer por motivo de saúde já bem debilitado, mas Pe. João nos trouxe uma carta dele saudando a todos.
Muito trabalho para conseguir os palestrantes, pois a cada ano procurávamos superar o anterior. Minha ideia foi a de valorizar também a atração cultural pois uma coisa reforçava a outra, pensei em uma hora para cada e a palestra sem preguntas, mas fui vencido. Aos poucos o grupo foi diminuindo o tempo da apresentação e aumentando o das perguntas depois das palestras. Eu sempre temi a questão das perguntas após, pois na verdade as pessoas querem fazer outra palestra própria e aproveitar o holofote. Foi o que foi acontecendo e depois da palestra o auditório esvaziava e eu ficava constrangido de ter convidado pessoas ou grupos para apresentação cultural, que vinham com grande sacrifício, pois eram pessoas pobres na sua maioria e recebiam apenas um cachorro quente e um copo de refrigerante.
Leonardo Boff fez abertura falando sobre seu livro ícone Jesus Cristo Libertador, que muita gente pensava que dera início à teologia da Libertação, mas quem é o pai é Gustavo Gutierrez (ainda tentei trazê-lo por duas vezes, mas ele era cadeirante e com dificuldades de saúde, nunca veio).
A apresentação cultural foi da orquestra dos Meninos de São Caetano que vieram dessa cidade do interior com seus instrumentos, o maestro fundador e uma estudante de música (o maestro havia sofrido calúnias por represália política), lembro que teve alguém do nosso grupo que reclamou porque pagamos a gasolina do ônibus.
A segunda noite foi a vez de D. Gilio Felicio, um bispo negro, fundador do movimento dos agentes de pastorais dos negro e na época bispo auxiliar de Salvador na Bahia. Atualmente é bispo de Bagé. Um excelente pessoal, pastor de primeira ordem, o tema foi Teologia do Rosto Negro. e a apresentação foi um balé com a Missa Afro.
A terceira noite foi D. Waldyr Calheiros que atendeu um convite meu em nome de Pe. Arnaldo. Bispo de Volta Redonda, um cabra macho que enfrentou de peito aberto os militares daquela época em defesa dos trabalhadores. Dos bispos que conheci era o que falava de maneira mais aberta e numa linguagem bem simples.
A apresentação da noite que antecedeu a palestra foi o Quinteto de Cordas.
A quarta noite foi de Marcelo Barros com a palestra "Culturas em Comunhão Libertadora" e a atração cultural foi o Quinteto de Metais.
Para finalizar a II Jornada na sexta-feira, Frei Betto teve o tema "Fé, Política e Libertação" e a apresentação foi do Balé Perna de Pau. 
O espírito de D. Helder perpassou toda a Jornada, nas palestras, nas apresentações, no lançamento do livro Helder, o Dom, organizado por Zildo Rocha com artigos e reflexões de vários teólogos.
Ao final já estava pensando na próxima. Muito trabalho, muita inspiração e engajamento de todos. Foi a última com D. Helder entre nós... 








quarta-feira, 9 de agosto de 2017

40 Minhas memórias da Igreja de Olinda e Recife 40


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40 Minhas memórias da Igreja de Olinda e Recife 40


O grupo Igreja Nova tornou-se um grupo eclético. Havia pessoas mais dedicadas ao jornal, outras às jornadas e algumas ao curso de teologia para leigos que depois batizamos de 'D. Helder' e que constava de palestras semanais, como já relatei no início dessas postagens.
Havia um núcleo que trabalhava mais no sentido de se dedicar a todas essas vertentes. A ideia de se aproximar de D. Helder e de sua obra e do IDHEC foi muito feliz e rendeu muitos frutos. A luta contra os desmandos de D. Cardoso continuava porque ele também continuava, foram mais de vinte anos.
Os jovens foram ficando mais 'velhos' e com as novas condições de vida (família, trabalho, estudos) foram se afastando embora admirassem à distância o nosso trabalho. Permaneceu apenas Fernandinho. No grupo, como em qualquer grupo humano, inclusive entre os apóstolos (havia um núcleo mais próximo a Jesus, Pedro, Tiago e João, e que disputavam o poder) houve uma crescente tensão entre duas participantes e eram as duas que mais trabalhavam. Isso me preocupou muito e chegamos até a fazer um encontro com uma psicóloga para trabalharmos mais essa questão, porém foi infrutífero. Tensões sempre haverão, conflitos e disputas emocionais, isso faz parte da natureza humana, o problema é quando prejudica o coletivo.
O jornal ganhava credibilidade e tínhamos colunas, artigos, reportagens, notícias e 'centelhas' que mostravam o lado secreto das paróquias e da arquidiocese. Colaboradores de nome nacional e até internacional. A tiragem aumentava. A cada mês eu saía distribuindo nas bancas de revista da Av. Guararapes (Banca Globo), na Torre, em Olinda, nas editoras Vozes , Paulinas,Paulus, na Unicap, em algumas paróquias (Espinheiro, Torre, Madalena, Boa Viagem, Piedade, Pina, Brasília Teimosa, Morro da Conceição, Belém, Campo Grande, Várzea, Franciscanos da rua do Imperador), enviávamos para padres de outras dioceses Paraíba, Maceió, Natal, Rio de Janeiro, São Paulo, ainda para o Canadá, França, Alemanha.
Distribuía ainda em diversas congregações e ordens. Nas saídas das missas e nos encontros católicos.
Conseguimos criar uma identidade própria. Preocupado e pensando que iríamos mais longe ainda registrei a 'marca' Igreja Nova no Instituto de marcas e patentes, na época na Cidade Universitária, que me custou muito pouco.
Três coisas ainda me preocupavam como grupo cristão: não estava havendo adesão de mais ninguém (sinal de fechamento), a espiritualidade como grupo e a ação concreta em favor dos pobres. Em contrapartida tínhamos um sistema de organização anárquico (no sentido de governança) a princípio, e não tínhamos nenhuma ingerência político partidária, também a princípio.



terça-feira, 8 de agosto de 2017

39 Minhas memórias da Igreja de Olinda e Recife 39

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39 Minhas memórias da Igreja de Olinda e Recife 39 



Em agosto de 1995, estive, a convite do Pe. Luiz Antônio, em Juazeiro da Bahia, para a festa da sua padroeira N.Sra. das Grotas. Fomos de carro, eu Luiz, os seminaristas Hugo, Helio e Gilvan do seminário de João Pessoa. Muito chão, mas valeu a pena. Fomos além de festejar a padroeira, nos encontrar com D. Paulo Evaristo Cardeal Arns. Amigo pessoal e quem ordenou Luiz Antônio em São Paulo.
Uma viagem longa de carro, mas no caminho tivemos oportunidade de conversar bastante sobre nossas história de vida, o que rendeu ótimos capítulos do livro Réquiem para um Bispo.
Chegando na véspera, pude desfrutar da companhia de D. Paulo, na casa ´palácio´episcopal. Sentamos lá mesmo na cozinha e conversamos muito e ele mostrou alguns livros dele e eu mostrei o Jornal Igreja Nova. Fiz uma entrevista muito boa, que publicamos no número de setembro deste ano.
Na celebração estavam também o bispo de Juazeiro, é claro e D. Paulo Cardoso (irmão de D. Cardoso) bispo de Petrolina.
Vocês sabiam que o único lugar no mundo, que eu tenha conhecimento, onde existem duas dioceses tão juntas, separadas apenas por uma ponte e de onde uma avista a sede da outra é Petrolina e Juazeiro?
A entrevista constou de reflexão sobre a Nova Era (no auge desse movimento), sobre a esperança para a situação do país, sobre a questão de bispos nomeados descomprometidos com o povo, e uma mensagem para Olinda e Recife. Lembro de uma frase lapidar que ele disse 'creio sempre que o povo converte o bispo'.
Nesse tempo, é bom lembrar, havia esperança de um futuro melhor para o país, e acreditávamos piamente que o PT com a bandeira da ética e do compromisso com o direito, a justiça social e as reformas, traria uma luz para a nação...
Algum tempo depois, na casa de Antonio Carlos, tive oportunidade de conversar com Plínio de Arruda Sampaio e ele me dizia "Assuero, temos que tomar a direção desse partido das mãos daquele pessoal de São Paulo, estão se desviando, estão assaltando o Partido. Eu escrevi o estatuto de meu próprio punho e agora veja o que está acontecendo..."
Foi a última vez que vi pessoalmente tanto D. Paulo quanto  Plínio.