quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Uma Nação corrompida


                                                                 imagem do google
 
 
 
 
 
Uma Nação corrompida

 

Uma pessoa, no tempo de Jesus, era considerada legalmente morta, após o quarto dia. Daí a visita do mestre à casa do amigo Lázaro, no quarto dia de seu falecimento, ter sido achada muito tardia por parte dos familiares.

Era considerada oficialmente morta uma pessoa após o quarto dia, porque seu rosto estava já em processo de decomposição e se tornava irreconhecível. Sua identidade estava irremediavelmente perdida, era um cadáver (carne dada aos vermes). Daí o pavor à corrupção dos mortos, como algo inexplicável e não compatível com o projeto de Deus, de vida plena. Corrupção dos corpos é a síntese entranhada da morte. Daí também os antigos povos tentarem mumificar os corpos, para preservar a identidade do morto e, portanto, seu significado no nosso mundo. Daí a Igreja, num costume bem antigo, pensar em sinal de santidade àqueles corpos preservados após anos e anos de sua morte.

Uma pessoa representa sua nação. Uma nação representa seu cidadão. As instituições representam seus instituídos e vice e versa.

A corrupção entranhada visceralmente na nossa nação, em cada indivíduo e nas instituições é a causa primeira de nossa morte como um povo soberano. Muitos de nós brasileiros estamos vivendo em tumbas e entre túmulos, como o próprio Lázaro.

Quando uma criança se alimenta de lixo e bebe água apodrecida, quando não vai à escola regularmente nem brinca pacificamente como outra qualquer, quando os jovens são absorvidos pela droga e o crime, quando quem deveria zelar pela integridade dos filhos da pátria está corrompido até seu âmago, quando se dilapida o suor e o sangue do trabalhador em propinas e desvios obscuros, se cava mais profunda ainda a própria sepultura da nação.

O Brasil está decompondo sua própria face perante o restante do mundo, a nossa face, a face de cada um, que juntas formam a identidade nacional. Toneladas de maquiagem midiática se consomem para mascarar o defunto, mas seu odor já se espalha. Não adianta copas, nem olimpíadas, nem shows de samba e mulheres nuas, nem arroubos de performances políticas, pois a nação está corrompida. Crianças são ensinadas pelos pais (quando os têm) a ter vantagem sobre os colegas, meios de comunicação ensinam modelos estranhos de comportamento, alunos agridem professores, adultos subornam, idosos são maltratados, a saúde pública é aviltada pelo descaso do governo, e tudo se transforma num grande e triste e grotesco baile funk verde e amarelo.

Talvez não estejamos no quarto dia, talvez o mestre venha a nos visitar e nos converta (metanoia), e nos anime a retirar a pedra do sepulcro e desenfaixar o nosso povo para que se levante e ande com suas próprias pernas, para bem longe da morte.

 

Assuero Gomes


 

 

terça-feira, 28 de agosto de 2012

restos mortais de D. Helder, D. lamartine e Padre Henrique...Überreste von D. Helder, D. lamartine und Vater Henry


 
 
 
 
Monge Marcelo Barros e a trasladação dos restos mortais de D. Helder, D. lamartine e Padre Henrique
 
Conversa, segunda feira, 27 de agosto 2012

 

Hoje é o 13o aniversário da páscoa de Dom Hélder Câmara. A arquidiocese celebrou essa data, com uma cerimônia de trasladação dos restos mortais de Dom Hélder, Dom Lamartine, seu auxiliar e o padre Antônio Henrique (assassinado pela ditadura militar em 1969). Eles receberam túmulos um ao lado do outro em uma capela da Sé de Olinda. Participei da missa celebrada pelo arcebispo Dom Fernando e concelebrada por muitos padres e religiosos. A Igreja estava cheíssima e as autoridades políticas estavam presentes porque ali a Comissão estadual da Verdade assumiu como compromisso investigar o assassinato do padre Henrique e do jovem estudante Marcelo Santa Cruz.

O arcebispo Dom Fernando fez uma homilia bonita e claramente profética. Mas, ele tem de se inserir em um contexto eclesiástico que ele encontrou aqui no Recife.

No tempo de Dom Hélder, havia uma diversidade de linhas e certos embates nos ambientes de Igreja. Mas, eram confrontos claros e explícitos. Hoje, uma celebração como essa mostra uma maioria muito conservadora e nostálgica da Igreja medieval e uma minoria insatisfeita e meio perdida. Mas, não há mais debate nem diálogo. Simplesmente se faz de conta que está tudo bem. Há um certo cinismo nessas posições - às vezes, eu gostaria de no meio de uma missa assim gritar bem alto e como alguém que tivesse sofrido um acesso de loucura: O que está por trás dessa pompa eclesiástica? Que modelo de Igreja esse tipo de celebração significa?

Tenho a impressão de que alguns jovens vivem isso de forma folclórica e superficial. Nem são conservadores profundos. Simplesmente é mais interessante dar uma de conservador. Que Deus nos acuda e liberte!

 

Marcelo Barros

http://www.marcelobarros.com/2012/08/hoje-e-o-13o-aniversario-da-pascoa-de.html

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Sepultamento definitivo de D. Helder Camara



Trasladação dos restos mortais de D. Helder

 
 
Hoje, 27 de agosto de 2012, exatamente após treze anos do seu falecimento, D. Helder Camara, o eterno Dom de Olinda e Recife teve seus restos mortais trasladados para o túmulo definitivo, ladeado por D. José Lamartine e por Pe. Antonio Henrique, na capela lateral da Sé de Olinda.
 
 

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

DOM HELDER e a Espiritualidade do Conflito






SEMANA  DOM  HELDER  CAMARA





DOM  HELDER

E  A  ESPIRITUALIDADE

DO  CONFLITO







Fortaleza, 29 de setembro de 2009



DOM HELDER E A ESPIRITUALIDADE DO CONFLITO



Irmãs e Irmãos,



Paz e Alegria para todos Vocês!

O Grupo nos convida para refletirmos juntos sobreDom Helder e a espiritualidade do conflito”.

Jesus veio para que todos tenham vida, vida boa e abundante. Todos nós sabemos que o querido e grande Cearense Helder Pessoa Camara aqui em Fortaleza, no Rio de Janeiro, em Olinda e Recife, no Nordeste, no Brasil, na América Latina e no Mundo gastou sua longa existência de 90 anos para servir à vida, ajudando a vida a desabrochar, dando chances à vida, zelando pela vida, protegendo, defendendo e promovendo a vida. Ele se entristecia profundamente quando a vidatanto nas Sociedades como nas Igrejasera machucada, ferida, pisada, explorada, marginalizada, escravizada. Em conseqüência de sua dedicação e atuação em favor do Reino (que é vida), ele foi amado e admirado dentro e fora do Brasil e, também, odiado e perseguido tanto nesta Terra como dentro de nossa Igreja. Ouçamos o nosso Profeta: “A mão de Deus está conosco. Sofrimento é normal na vida humana. Perseguição é normalíssima na vida cristã.” (1)

Estamos celebrando o primeiro centenário de seu nascimento (1909 – 7 de fevereiro – 2009) e por toda parte surgem acontecimentos que o homenageiam. Promovendo a Semana Dom Helder Camara, O Grupo deseja colaborar para manter viva sua memória e acesa a chama de seus ideais. Há homenagens que correm o risco de abafar essa memória, de enfraquecer esses ideais, essa herança. Há pouco houve, no Recife, a Jornada Teológica Dom Helder Camara, organizada pela 12ª vez pelo Grupo Igreja Nova. Na ocasião o Movimento de Mulheres Contra o Desemprego alertou: “’Ai de vós quando todos falarem bem a vosso respeito, pois foi assim que trataram os falsos profetas’ (Lc 6,26). Como todo profeta verdadeiro, a exemplo de Jesus, Dom Helder foi umsinal de contradição, motivação para uns e escândalo para outros’ (Cf. Lc 2,33). Sua voz corajosa e coerente confortava e, ao mesmo tempo, incomodava, dividia mentes e corações, sempre em nome do Evangelho. Estamos celebrando o centenário de seu nascimento e corremos o risco de transformar essas celebrações em uma demonstração de falsa unidade. Pessoas que o perseguiam ou lhe negavam apoio nas horas difíceis, agora o aplaudem de público. Por trás disso esconde-se a sutil tentativa de camuflar a memória ‘perigosa’ do profeta, servindo-se da sua morte para esvaziar a sua profecia. Vivemos atualmente, na Igreja e no Mundo, um tempo sem profetas e profetismo.” (2)

Por ocasião da Eucaristia no Recife, no dia de seus 100 anos, 7 de fevereiro próximo passado, ouvimos uma boa mensagem que recordava a luta do Dom por uma Sociedade mais justa e humana, mais “respirável” como ele mesmo gostava de dizer. Mas, o pregador se esqueceu de lembrar que ele igualmente lutou e sofreu muito por uma Igreja mais pobre e servidora.

Sem dúvida, O Grupo não sonha com uma Semana Dom Helder Camara que coloca este Cearense no altar, mas deseja que este evento abra espaço para que sua vida seja inspiração para muitos.

Dom Helder, com toda sua mansidão, foi um lutador que se bateu para, tanto na Igreja como na Sociedade, transformar o mal em bem, o egoísmo em fraternidade, a ganância em partilha, a injustiça em paz. Ele abraçava o Pobre de todas as pobrezas e apontava as causas dos sofrimentos. Dom Helder era uma pessoa em quem contemplação e ação tiveram todas as chances. Ele vivia as duas em grande equilíbrio e profunda ligação. Muito se fala e se escreve sobre seu agir. Graças a Deus! As pessoas que viveram bem perto dele, são unânimes em atestar que tudo o que fazia, nascia de reflexão e era sustentado por oração. O Dom não rezava a missa, não presidia a celebração; ele vivia a eucaristia intensamente e esta perdurava o dia todo. Palavras dele em 1959, quando estava com 50 anos: “Eu nasci para celebrar a Santa Missa.” E em 14 de março de 1964, dia em que foi anunciada sua nomeação de Arcebispo de Olinda e Recife, escreve ele de Roma para seu grupo amigo no Rio de Janeiro: “Deus me faz a graça de estender o dia inteiro a Santa Missa: ofertório de 24 horas, consagração perene, comunhão com tudo e com todos” (3).  Em uma de suas meditações lemos: “Quando não estou na santa missa, me preparo para este ponto alto de meu dia ou vivo em ação de graças porque o ponto alto passou”. Quando se reflete sobre este Profeta, não se pode esquecer o costume que ele adquiriu como jovem padre, e manteve até alguns anos antes de sua Grande Viagem, como ele gostava de chamar sua morte. Cada madrugada, estando em sua casa em Fortaleza, no Rio de Janeiro, no Recife ou em qualquer lugar do Mundo, ele passava algumas horas em vigília: reflexão e oração, pensar e escrever. Tempo que ele usava, conforme suas próprias palavras, para recompor e abastecer a sua unidade, dispersa e gasta em seu agir na véspera, para, com garra, poder enfrentar a lida de um novo dia. Helder Camara era um homem livre. Vivia, como nós, dentro das estruturas da Sociedade e da Igreja, porém, parecia que as mesmas para ele não existiam, embora ele tenha sofrido um bocado por causa de mau funcionamento delas. Mas, elas não o derrubavam. Ele não tinha medo delas. Dom Jacques Gaillot, bispo de Partênia, diz: “Quando a gente tem medo não é livre, e quando é livre provoca medo”. Sempre tive a impressão que Dom Helder procurava e descobria o cerne das realidades, deixando de lado o supérfluo. Ganhava, assim, muito tempo e muita energia para se dedicar ao que realmente importava. Parecia que dificuldades não desanimavam o Dom, masantes – o convidavam a se jogar na luta para vencê-las. Dom Helder era um homem cheio de compreensão. Escutava os sofrimentos e as dificuldades de suas irmãs e de seus irmãos mais com o coração que com os ouvidos. E, para confortá-los abria, também, mais o coração que a boca. O Dom era misericordioso. É do conhecimento de todos que ele sofreu bastante por parte dos poderosos do Mundo e da Igreja. Muitíssimas vezes ele falou forte contra muitas formas do mal, mas inutilmente se procurará em seus numerosos escritos palavras duras contra as pessoas que causavam o mal. A elas, o Dom soube perdoar.

Alguns fatos.

Fato nº 1

Dom Helder e a espiritualidade do conflito dentro de nossa casa de , a Igreja”.

No dia 11 de maio de 1970, Dom Eugênio Sales, então arcebispo de Salvador da Bahia, escreve a seguinte carta.

Meu caro Dom Helder, em minha última viagem à Roma, semanas atrás, tive uma audiência  com o Santo Padre. Em certo momento ele perguntou por você e pediu-me que lhe transmitisse o seguinte: ter mais calma; não sair muito da diocese. Manifestou, expressamente, apreço pelo seu trabalho no Rio. Tenho diante dos olhos a nota que fiz quando retornei à casa, para não me esquecer. Pareceu-me claro e evidente que ele deseja de você moderação. E aprecia mais o Dom Helder do Rio do que o de Recife. Falei-lhe de sua devoção e obediência, sem limite, ao Papa. Ele me respondeu que bem o sabia e revelou uma estima bem grande por você. Parecia também consciente de nossa amizade. Meu querido amigo, sei que lhe custa saber o que está dito no início. Recebi expressamente uma tarefa de alguém a quem nós dois servimos com devoção.” (4)

Vejamos o que aconteceu exatos 15 dias depois, na França. Dom Helder tinha uma palestra marcada para o dia 26 de maio em Paris, prevista para ocorrer num auditório com capacidade para 2.500 pessoas, mas uma hora depois de iniciada a venda dos ingressos, na manhã do dia 25, os organizadores mudaram-na para o Palácio dos Esportes, onde caberiam aproximadamente 10.000 pessoas. “A responsabilidade da França diante da Revoluçãoera o título da palestra que preparara. Mas na casa do cardeal François Marty, arcebispo de Paris, um grupo de 25 pessoas, várias autoridades eclesiásticas e leigas, cobraram-lhe uma palestra com outro conteúdo, que falasse “a verdade sobre o Brasil daquele momento” e denunciasse as torturas que “sabiam existir” no Brasil. Ele teve de deixar de lado a conferência que preparara, e falar de improviso no Palácio dos Esportes, naquela noite com sua capacidade de lotação superesgotada: alem das 10.000 pessoas que completam essa capacidade, outras 10.000 – segundo todos os jornais e revistas de Paris, na ocasião – ficaram do lado de fora. As fotografias testemunham a superlotação. Segurando em uma das mãos uma rosa vermelha que recebera de presente na entrada, Dom Helder introduziu o tema de sua palestra, explicou o título – “Quaisquer que sejam as consequências”, que prenunciava sua intenção polêmica e passou a contar dois exemplos concretos e comprovados de pessoas torturadas: o do estudante Luis Medeiros de Oliveira e o do frade dominicano cearense Tito de Alencar. Assim que terminou, o cardeal Marty, que o ouvira da primeira fila, correu para cumprimentá-lo, prevendo as consequências da palestra: “Pastor da cabeça aos pés. Pastor na explicação e nas respostas. Aconteça o que acontecer, estará sofrendo como Pastor. Direi isso ao Santo Padre”. (5)

Na noite de 11 para 12 de outubro do mesmo ano de 1970, o Dom escreve, numa carta a Dom Eugênio Sales, a seguinte alínea: “O que me parece fora de dúvida, tangível, é o mistério de esmagamento, na véspera de viagens que me parecem expressivas e de grande responsabilidade. Os homens se movem e Deus os conduz. É tão clara a Mão da Providência purificando a peregrinação da paz de qualquer oculto perigo de vaidade e orgulho!!... viajo, humilhado, vencido interiormente. Como entendo o brado de Cristo: ‘Meu Pai, meu Pai, por que me abandonaste!?...’” (6)

Fato nº 2

Dom Helder e a espiritualidade do conflito dentro da nossa casa da humanidade, o Mundo

Em abril de 1963 dom Helder recebera uma visita do embaixador dos Estados Unidos da América Lincoln Gordon, durante a qual fizera críticas à  Aliança para o Progresso, do presidente Kennedy. O embaixador perguntou se Dom Helder repetiria as críticas em TV norte-americana. O Dom fez a gravação que foi transmitida no programaCosta à Costa”, em horário de grande audiência. No Brasil ela não foi ao ar. Porém, apareceu na imprensa o artigoAtenção, Arcebispo”, de Augusto Frederico Schmidt que provocou a “queda” de sua popularidade no Brasil com o início da campanha contra Dom Helder, chamando-o de subversivo e comunista. Este acontecimento foi umdivisor de águas”. (7)

Em nosso momento histórico há uma forte tendência de “nivelar”, de “esconderconflitos tanto na Igreja como na Sociedade. Reina uma espiritualidade intimista, devocional e alienante que não beneficia a vida, totalmente contrária a de Dom Helder que era uma espiritualidade de “combater o bom combate”, o da vida, o da justiça, o da paz.

Atualmente é fácil constatar duas atitudes possíveis diante das injustiças e dos sofrimentos no Mundo e na Igreja. Ou finge-se que os males não existem, ou cobrem-se os sofrimentos com um manto de falsa caridade, que gera indiferença, passividade e hipocrisia. Ambos os modos de agir são mais fáceis que abrir o coração e a mente para ações corajosas que visem acabar com essas chagas.

Jesus botava gente fora do Templo, chamou pessoas de hipócritas, de túmulos caiados, de raposas, de guias cegos, de geração má e adúltera. Pregou em outras a etiquetaraça de víboras”. Conhecemos o seu “Ai de vós!” (8). O Jesus de Nazaré dos Evangelhos tem um outro rosto que o dos “doces santinhos” da Itália, e é, seguramente, menos “bonzinho” do que Ele, muitas vezes, é apresentado em show-celebrações.

O Dom também era um showman, mas, pisando com os dois pés no chão da realidade nua e crua da vida neste mundo, e agindo corajosamente, procurando não somente aliviar dores agudas, mas igualmente se doando para arrancar os males pela raiz. Procurava remediar dores e combater causas. Batalhava contra os males pessoais e contra os coletivos.

Apesar de por toda a parte existirem grupos como O Grupo e acontecerem sinais de esperança, parece-me que a caminhada atual não é de progresso, antes de retrocesso.

Entre as palavras que o Dom não gostava de proferir, havia o verbomandar”. Lembro um colega amigo que lhe disse certa vez: “Dom, fiz o que me mandou fazer”. “Meu filho, eu mandei? Me perdoe”, ouviu ele como resposta.

Nasci em janeiro de 1939, à porta da segunda guerra mundial. Como criança vi em minha terra natal, a Holanda, vida ser destruída pelo inimigo sob o slogan “Befehl ist  Befehl” – ordens são ordens. Setenta anos após o início daquela guerra e 45 anos depois do Concílio Vaticano II que proclamou a grandeza do Povo de Deus, ouve-se, no Mundo e na Igreja, quase que sempre, ainda o mesmo mandamento em lugar do convite ao amor.

Nada mais fácil do que ficar parando em aplausos meio vazios. Para os que desejam realmente homenagear o nosso Profeta, apresento duas sugestões dele mesmo:

§  “Temos que viver e fazer viver o Evangelho e as lições fundamentais de Cristo”.

§  Não basta esforçar-nos para levar o Brasil a conhecer mais, ter mais, produzir mais; ele precisa, com urgência, é de ser mais”.

Penso que são tarefas boas e bonitas que fazem as comemorações do centenário  fluir conforme os sonhos do próprio homenageado.

Que Dom Helder continue sendo forte inspiração para batalhar em favor da vida para O Grupo e para todos nós que atendemos a seu convite e que nos reunimos hoje nesta bela cidade de Fortaleza que, há um século, presenteou a Humanidade com o grande dom do Grande Dom.

Muito obrigado!



João Pubben



Referências:

(1)   Nelson Piletti e Walter Praxedes. Entre o poder e a profecia. Página 378.

(2)   Movimento das Mulheres Contra o Desemprego. Mensagem do dia 25 de agosto de 2009, no Recife.

(3)   Luiz Carlos Luz Marques e Roberto de Araújo Faria. Dom Helder Camara – Circulares Conciliares. Volume I Tomo I. Página 430.

(4)   Carta de Dom Eugênio Sales para Dom Helder Camara, de 11 de maio de 1970.

(5)   Nelson Piletti e Walter Praxedes. Dom Helder Camara – O Profeta da Paz. Páginas 317 a  319.

(6)   Carta de Dom Helder Camara para Dom Eugênio Sales, de 11/12 de outubro de 1970.

(7)   Carlo Tursi. Não pensem que eu vim para trazer paz à terra. . . ! (Mt 10,34), em Boletim Semanal “ANOTE”, setembro de 2009.