quinta-feira, 24 de abril de 2014

Conceito de Inferno



Conceito de Inferno








As ilustrações abaixo referem-se a um fabuloso quadro do século XVI de um pintor português desconhecido, que está exposto no Museu de Arte Antiga de Portugal, em Lisboa.
Digno do mestre Hieronymus Bosch.

A riqueza de detalhe é algo impressionante; um verdadeiro tratado do pensamento místico medieval, que, creio eu, ainda infunde terror noturno em muitos nos dias de hoje, quando pensam na danação eterna.
É evidente que um quadro como esse era pedagógico na época, uma vez que a grande maioria da população era analfabeta e praticamente apenas o clero e a aristocracia tinha acesso às letras.

Vale apenas tentar uma análise superficial das ilustração:

1- A quantidade de clérigos queimando na caldeira ardente. Vejam que são quatro e uma mulher ruiva. Provavelmente descreve o pecado da luxúria. Pergunto: se a obra era financiada pela Igreja, como deixaram tal crítica?

2- Do lado esquerdo notamos a questão do pecado da gula, quando um demônio coloca sangue de porco na garganta de um glutão através de um funil, como se engorda os gansos franceses hoje em dia para que os mesmos tenham o fígado crescido (fois gràs) para o fabrico do  famoso patê. O infeliz ainda tem uma argola (torquês) na sua garganta para dificultar a deglutição.




3- O avarento é forçado a engolir moedas em brasa pelo mesmo processo do glutão. Ao fundo uma figura feminina jorra seu leite das mamas vestida como uma sado-masô.





4- Um corpo nu é atormentado com correntes, ao fundo enquanto um casal é amarrado sobre um frade. A figura desse demônio tem um pircing incrustado na mama.


5 - Três mulheres têm seus cabelos queimados num fogareiro, dependuradas em seus corpos nus, em referência indubitável à vaidade. Note-se ao fundo uma personagem com três olhos e bico de rapina que põe as moedas em brasa.



6- Vista geral do quadro. À direita no canto superior, pessoas descem ao inferno de cabeça para baixo. Note-se ainda a maioria das figuras tem aspecto feminino.


segunda-feira, 21 de abril de 2014

O primeiro trem para Lisboa

O primeiro trem para Lisboa

 Saramago, o último escritor a criar na estrutura da língua de Camões, amarrado como homem-bomba prestes a detonar suas palavras contra a cegueira do mundo....
 Tão bela e luminosa, oh luzboa!
 A virgem das Índias Orientais

Como um brilho se perpetua por mais de quinhentos anos?


Quantos religiosos ardendo há quinhentos anos?!!!




 O primeiro trem para Lisboa, sim
                                                     Eu estaria nele...