sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Ciência, um dom inefável

Texto IX

                                                                               






Ciência, um dom inefável

Os dons não pressupõem a natureza humana, no entanto podem ser transitórios para determinada pessoa ou comunidade. A graça, essa sim, vai sempre ser compatível com a natureza da pessoa ou da comunidade que a recebe, ela é única e faz seu efeito quase que imediatamente. O talento esse, salvo enfermidade, é perene e é individual e independe da natureza da pessoa.
O dom da Ciência é aquele que principalmente traz o conhecimento profundo sobre a natureza das coisas e a essência da vontade de Deus. Esse conceito difere um pouco do que entendemos como ciência nos tempos atuais, que seria a grosso modo, um estudo sistemático de determinado aspecto do universo, procurando utilizar o método (Descartes) e antecipadamente rejeitando a ação de Deus como causa primeira (epistemológica). Note que a Ciência é um dom antecede a Sabedoria.
O dom da Ciência é um dom inefável pois nos conecta diretamente com o ‘modus operandi’ da vontade do Criador (Pai).
Somente uma, uma única pessoa na terra, teve em si todos os dons do Espírito Santo ao mesmo tempo e de forma permanente.
Você sabe quem seria essa pessoa?

Assuero Gomes


quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

O Espírito e a Sabedoria

Texto VIII




O Espírito e a Sabedoria

Interessante notar é que o Espírito derrama seus dons sobre quem quer, independente da condição da pessoa que vai receber. Diferente da graça, que pressupõe a natureza, os dons do Espírito são totalmente livres e quem os recebe não é seu dono jamais nem tampouco pode se vangloriar de tê-lo recebido. Não é permanente também. Da mesma maneira que foi soprado pode ser retirado.
A Sabedoria é algo tão forte e concreto que os gregos a tinham como o maior bem a que alguém poderia alcançar (Sofia), o ápice da condição humana. Os judeus, especialmente os das escolas rabínicas de Alexandria, a descrevem como uma criança brincando aos pés de Deus, muito antes da Criação. Os autores cristãos não tardaram a reconhecer nessa alegoria a figura de Jesus. Jesus seria a encarnação da Palavra e a própria Sabedoria.
Na prática notamos que o Espírito tem uma predileção toda especial, mas não exclusiva (vide Lucas e o próprio Paulo), pelos pobres e suas comunidades. Notamos também, que como dom não se pressupões a natureza da pessoa que vai recebê-lo, então esse dom especial pode ser derramado copiosamente entre pessoas cultas, mas também em pessoas que não sabem ler nem escrever. Geralmente a sabedoria está associada com o avanço dos anos, e ela gera uma espécie de liderança (de serviço) naqueles que a possuem. São também muitas vezes chamados a decidir questões entre as pessoas da comunidade, gera humildade, mansidão, gentileza, uma predileção ao silêncio e à reflexão, ao amor pela história de seu povo e suas boas tradições.
A Sabedoria cuida da vida de todos e é o princípio do Ethos (ética).


Assuero Gomes

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Os dons do Espírito







Texto VII

Os dons do Espírito                                 





Desde os primórdios do cristianismo, relatados nas mais antigas escrituras (Paulo aos Coríntios) cristãs, houve uma percepção por parte da comunidade dos que creem, da ação do Espírito. No pentecostes narrado por Lucas a ação é exuberante, diria até espetacular (dele refletiremos mais tarde), na narrativa de João é muito discreta: Jesus sopra sobe a comunidade dos discípulos e discípulas.
São percebidos e relatados vários dons do Espírito, enumerados por Paulo, que na sua ‘organização’ mental fez uma lista, a saber: Sabedoria, Ciência, Fé, Cura, Milagre, Profecia, Discernimento, Glossolalia (falar em línguas). Paulo organiza pela ordem que ele considera mais importante, colocando o dom das línguas em último, e em outra oportunidade ele vai dizer que há o dom de traduzir esse tipo de manifestação para que a comunidade entenda.
Vale salientar que o Espírito Santo sopra seus dons, sempre, repito, sempre em benefício de toda a comunidade e nunca como um dom de poder individual, para exaltar algum indivíduo ou instituição. E é sempre bom lembrar que embora os dons sejam muitos o Espírito é um só e sempre unido indissoluvelmente ao Pai e ao Filho donde ele emana.
No início do cristianismo, o Batismo vinha junto com o Crisma, pois só os adultos os recebiam e era comum assim que a pessoa era batizada se lhes impunha as mãos (crisma) para que recebesse o Espírito Santo, e geralmente essa pessoa manifestava o dom das línguas (que em última análise é uma espécie de louvor a Deus através da repetição monotônica de algumas sílabas). Eu tive a oportunidade de presenciar essa manifestação.
Paulo se questionava para que servia se não se traduzia ?

Assuero Gomes





segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

O pecado contra o Espírito

Texto VI









O pecado contra o Espírito

Interessante a passagem de Jesus quando Ele afirma que o pecado contra o Filho pode até ser perdoado, mas contra o Espírito jamais o será. “Por isso vos digo: todo pecado e blasfêmia serão perdoados aos homens, mas a blasfêmia contra o Espírito não será perdoada. Se alguém disser uma palavra contra o Filho do Homem, ser-lhe-á perdoado, mas se disser contra o Espírito Santo, não lhe será perdoado, nem neste mundo, nem no vindouro.” (Mt 12, 31-32)
Alguns exegetas (estudiosos das Escrituras) comentam que, por Jesus, sendo Deus, mas ‘escondido’ na natureza humana, as pessoas podem não o reconhecerem como o Filho, no entanto quem desconhece e se fecha  às obras magníficas realizadas pela terceira pessoa da Trindade, estaria se excluindo da própria salvação. Também creio que quando Jesus afirma que não haveria perdão para tal blasfêmia, no contexto está implícito àqueles que mesmo vendo as obras do Espírito (são sempre boas e para a dignidade humana) as atribuem ao Maligno; seria um tal grau de cegueira e de resistência à graça de Deus que em tal estágio seria praticamente uma conversão e arrependimento.
Sobre as obras do Santo Espírito, observando seus efeitos nas pessoas e nas suas comunidades, jamais teremos dúvidas.


Assuero Gomes  

sábado, 21 de fevereiro de 2015

A mais misteriosa pessoa da Trindade

Texto V

A mais misteriosa  pessoa da Trindade

. Na imaginação humana e especialmente na dos artistas a pessoa do Pai é representada pela figura de um ancião severo de longas barbas brancas; esta imagem está no inconsciente coletivo de praticamente toda a humanidade. O Pai que transmite poder, responsabilidade, temor, majestade, respeito, proteção e assim por diante. O típico pai freudiano, judaico-cristão.

O Filho, esse é a pessoa mais representada da humana, tanto em pinturas magníficas, em esculturas, em teatro, em cinema, em dança, em música, em manifestações populares ou eruditas em todas as partes da Terra. É o irmão mais velho. Ora representado em sua majestade, ora como mendigo, caminhante, iluminado, transfigurado, sofrendo, agonizante, morto, criança, recém-nascido, até como ancião (vide Apocalipse de João), misterioso, humano, divino, poderoso, fraco, piegas, másculo, efeminado, forte, flutuante, descalço, sangrando, ressuscitado.

E quanto ao Espírito Santo ? Apenas uma pomba branca. A única representação que temos dele. Eu pergunto: como se pinta o vento, senão apenas seus efeitos?
Foi sempre uma preocupação dos antigos profetas e sacerdotes a proibição de jamais fazermos uma representação de Deus, nem mesmo pronunciar o seu nome.    





A pomba remonta de uma antiquíssima tradição mitológica dos povos da mesopotâmia, na qual o universo foi gerado através da postura de um enorme ovo sobre o mar primordial (caos), por um pássaro gigante estendendo sua asas sobre esse mesmo mar.

O vento você não vê, mas sente.

Assuero Gomes



quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

A face feminina de Deus na celebração

Texto IV

A face feminina de Deus na celebração

 Texto IV                                                                                               





.Na celebração eucarística (missa) podemos sentir três momentos distintos mas inseparáveis nos quais se manifestam mais fortemente cada uma das pessoas da Trindade. É evidente que Deus é indivisível, mas apenas por uma questão pedagógica ousamos ‘sentir’ essas peculiaridades do Pai, do Filho e do Espírito Santo (motivo da nossa reflexão).
A primeira parte da missa: a acolhida, a oração penitencial, mesmo o Glória e a oração da síntese (chamada da Coleta), a primeira, a segunda leitura e o Evangelho, o Pai Nosso, na comunhão, notamos nitidamente um tipo de celebração mais centrada na figura de Cristo, organizada, participada mas sem muito espaço para improvisação, mais tradicional, segue um ritual pré-determinado.
Outra parte da celebração na qual sentimos nitidamente a predominância da figura de Deus Pai é na oração eucarística, especialmente na consagração e na elevação. Outra parte muito sensível é a bênção final. São partes da celebração solenes e majestáticas.
E o Espírito Santo? Notem na oração dos fiéis, no abraço da paz, nos cantos e orações espontâneas.
Imaginem a alegria do povo no carnaval, é manifestada de duas maneiras básicas: na rua em indivíduos ou blocos livres nas ladeiras, ruas, becos e praças, e outra num desfile nas avenidas com tempo, cadência, ordem e tudo antecipadamente organizado.



Assuero Gomes

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

O Santo Espírito e os espaços vazios


O Santo Espírito e os espaços vazios 



Texto III

Os espaços vazios

.Se olharmos de muito distante um edifício, do alto mesmo, teremos a certeza de que se trata de uma construção compacta, sólida; mas à medida que nos aproximamos, na sua face exterior, o edifício ainda aparecerá aos nossos olhos bem concentrado como num bloco, grande. Observando melhor e mais de perto seu interior veremos que existe muito mais espaço vazio que construção de concreto, tijolo, argamassa, tinta, ferragens. Um volume de espaço vazio muito maior que o efetivamente construído. Assim é com as construções humanas, assim é com toda a natureza.
Olhando uma galáxia ela nos parece um corpo luminoso único, ao aproximarmos veríamos bilhões de estrelas, planetas, cometas, satélites, poeira cósmica. Nos seres vivos também é assim. Corpos formados essencialmente de água e carbono. Células que parecem juntas mas que ao microscópio eletrônico estão separadas banhadas em fluídos e mais profundamente em átomos e mais ainda em partículas subatômicas que são na verdade ondas de energia com infinitos espaços vazios por onde possivelmente poderá passar uma partícula sólida (se assim podemos chamar). O interessante é que tudo que existe é feito do mesmo material e da mesma energia primordial.
O que sustenta todas essas estruturas e preenche seus espaços vazios mantendo suas formas e suas singularidades?
Arriscaria responder: o Sopro de Deus.

Assuero Gomes


sábado, 14 de fevereiro de 2015

O Espírito




Texto II

.Nós acreditamos e sabemos pela fé que tudo foi criado na Palavra de Deus. Diferentemente de outros deuses da antiguidade, Deus não precisou de outros semideuses, ou demiurgos, ou atos majestosos e espetaculares, muito menos de magia para criar todo o universo e sua natureza. Apenas teve vontade e pronunciou sua Palavra. Ora, a palavra é o hálito (vento, pneuma) exalado correspondente a um desejo, que já vem de um pensamento (ideia). O hálito de Deus é o Espírito e é na força do Espírito que tudo foi criado e se mantém vivo.
Pela fé também sabemos que Jesus, filho único de Deus, foi gerado pelo Pai. Imaginemos por alguns instantes, como numa figura de linguagem, uma pessoa fazendo sair de si uma outra de sua mesma natureza (não criando, gerando) e ela se posicionando frente à frente, numa intensa e poderosa energia de amor, e nesse espaço virtual entre uma e outra de tão unidos surgisse uma energia tão grande que tivesse as características das duas, chegando a ser uma terceira pessoa, mas de tão unidos entre si que seriam um só, mesmo pensamento, mesmo desejo, mesma atitude, mesma ação.
Por que então, se são tão uníssonos, não bastava apenas um?
Porque quem ama existe no amado.


Assuero Gomes

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Espírito Santo








Caso vocês tenham interesse sobre esse tema proponho refletirmos juntos.
Vou enviar alguns pensamentos para desenvolvermos a reflexão.

Texto I

. Para os gregos somos formados por um corpo e uma alma. A alma imortal que habita um corpo mortal. Alma perfeita num corpo imperfeito.
Para os judeus (Jesus aqui incluso) somos uma pessoa que é um corpo animado pelo sopro (Rhuá) de Deus. Uma só coisa indivisível.
O conceito de sopro (ar) vindo de Deus, é aquele que a tudo anima e faz viver. Vivemos por causa do sopro (vento) que vem de Deus. Tudo que tem vida no universo é vivificado pelo sopro de Deus. Respirar é o principal sinal de que estamos vivos.
Espírito é vento, é pneuma.
Os antigos que escreveram a Bíblia percebiam a presença de Deus não no trovão, nem no relâmpago nem nas tempestades (veja o profeta Elias), mas na ‘brisa’ suave que refresca e alivia e principalmente na brisa ou vento que precede a chuva. Imaginem numa comunidade agrícola em tempos de seca, o campo morto, o vento que vem antes da chuva é anúncio de vida. A chuva renova a terra e a faz brotar as sementes e o alimento e o ser humano e as outras criaturas se alimentam e podem permanecer vivos.
O Espírito é vento.
O problema do vento é que ele sopra desordenadamente, sem horário certo, sem direção pré-definida, muitas vezes desarruma. Mas isso fica para a próxima reflexão.

Assuero.


domingo, 8 de fevereiro de 2015

Aachen


Aachen



A cidade foi fundada pelos romanos, no século I. Em virtude de suas águas termais, recebeu a denominação de Aquae-Grani (de que derivou Aquisgrano), em homenagem a Apolo Grano, o deus greco-romano protetor dos banhos.
Foi escolhida para capital do Sacro Império Romano-Germânico por Carlos Magno (que provavelmente nasceu em Aachen no ano 742 e que nela veio a falecer em 28 de Janeiro de 814), tendo sido a sede da coroação de 32 imperadores que lhe sucederam, até a cerimônia ser transferida para Frankfurt, no século XVII.
Teve como concorrente política as cidades de Roma e Ravena. A primeira cidade, em importância política, e, a segunda, em tesouros arquitetônicos e históricos.
Praticamente devastada pelos bárbaros em 881, foi reconstruída em 983, sendo novamente arrasada por um violento incêndio em 1656, e mais uma vez, no século XX, durante a Segunda Guerra Mundial.
Aachen foi, de todas as cidades da Europa, a mais habitada e visitada por imperadores, reis e estadistas. Nela foram realizados, igualmente, vários concíliossínodos e dietas, e solucionaram-se diversas questões políticas. Destacam-se a assinatura do tratado de maio de 1668, que pôs fim à guerra da Devolução, entre a Espanha e a França, a do tratado de outubro de 1748, conhecido como a Paz de Aquisgrão, que determinou o fim da Guerra da Sucessão da Áustria, e também o congresso de 1818, no qual foi sancionada a evacuação da França pelos aliados, após a derrota de Napoleão.
De 936 a 1531, os reis alemães foram coroados em Aquisgrão. A cidade foi ocupada por tropas francesas em 1794 e mais tarde anexada 1801 pela França, passada à Prússia em 1815 e, de 1918 a 1930, a cidade foi ocupada pelos  aliados como resultado da derrota da Alemanha na Primeira Guerra Mundial. Durante a Segunda Guerra Mundial, dois terços de Aachen foram destruídos por bombardeamentos aéreos. Foi também a primeira grande cidade alemã a ser libertada pelos Aliados, em outubro de 1944.
fonte:Wikpedia

Tesouros de Aachen, bela cidade




 Relicário onde se acredita estão guardados o manto de Maria e seu cinto.
 A catedral é belíssima. Sua parte mais antiga é em estilo bizantino e data do ano de 800, da coroação de Carlos Magno, fundador do Sacro Império Romano-Germânico.

Origem do império carolíngeo com sua arte inigualável, especialmente a arte sacra.






 Máscara de Carlos Magno em ouro maciço e incrustada de formidáveis pedras preciosas.



 Relicários




Livros manuscritos com iluminuras datadas a partir do ano 800





Relicário, raro, em forma de mão onde estão os ossos do braço direito de Carlos Magno


                                                   Detalhe do rádio e cúbito do Imperador






Cruz em ouro e pedras preciosas usadas na coroação






Pequeno busto do Imperador





No museu da Catedral

 Custódias e cálice
                                                   




 Missal

Cetro de Carlos Magno (note-se a águia símbolo do Império)





 O manto da coroação




Coroa de uma rainha




Madona, mais recente (1320) no estilo carolíngeo















 No museu da Catedral há vários relicários com relíquias de muitos santos e santas, um costume devocional na época em que as cidades surgiam ao redor das catedrais. Essas devoções faziam com que caravanas de peregrinos trouxessem desenvolvimento ao lugar






 Imagem de S. Pedro em ouro maciço. Notem as chaves que ele segura.







 Eu e minha rainha na entrada do museu





Eu e minha princesa








Cidade linda. Tanta história! Nesse tempo, nossos antepassados brasileiros ainda comiam gente, literalmente.