sábado, 25 de julho de 2015

O Lavador de Almas, imagens

Resultado de imagem para o lavador de almasResultado de imagem para o lavador de almas


Resultado de imagem para o lavador de almas
Resultado de imagem para o lavador de almas 
Resultado de imagem para o lavador de almas 
Resultado de imagem para o lavador de almas 
Resultado de imagem para o lavador de almasResultado de imagem para o lavador de almasResultado de imagem para o lavador de almas 
Resultado de imagem para o lavador de almas 
Resultado de imagem para o lavador de almas





O Lavador de Almas





O Lavador de Almas
Assuero Gomes


Este é o título de um excelente filme inglês de 2005, do diretor Adrien Shergold e que tem como ator central Timothy Spall. A narrativa é sobre o trabalho do mais famoso carrasco da Inglaterra, Albert Pierrepoint, que executou com maestria mais de seiscentos condenados entre os anos de 1933 e 1955. Ele fazia seu ofício de maneira discreta e até a própria esposa desconhecia a natureza de seu trabalho. Era como um mestre cerimonialista que emprestava a última dignidade àqueles que iriam morrer por suas mãos.
A fama de Albert cresceu quando foi convidado pela Alemanha a executar 47 criminosos nazistas em apenas uma semana. Era tão perfeccionista no que fazia na profissão que herdou do pai, que conseguia executar os prisioneiros em 7,5 segundos (seu pai o fazia em 13 segundos), nesse exíguo tempo ele adentrava com o condenado na sala de execução, amarrava-lhe as mãos para trás, as pernas abaixo dos joelhos, conduzia para o cadafalso, cobria-lhe a cabeça, colocava a corda no pescoço e puxava a alavanca que o deixaria dependurado para a morte. Fazia tudo de maneira indolor, rapidamente, pois antes calculava milimetricamente a segunda e a terceira vértebra cervical, o peso do corpo e sua altura.
Conseguia separar a questão moral e ética, cria está cumprindo fielmente seu ofício a que era pago, como funcionário do governo. Conseguiu manter sua consciência até certo ponto tranquila, até o dia em que teve que preparar e executar um amigo, que havia cometido um crime passível da pena de morte. No filme, se vê o amigo lhe pedindo como último favor que fosse ele seu verdugo e o tratasse com a mesma dignidade de todos que ele executava. Nota-se o extremo respeito com que tratava do corpo dos que executava e afirmava sempre, que eles eram inocentes após mortos, pois pagaram sua pena perante os que ficaram.
Uma nação, até mesmo uma civilização, pode ser condenada à morte. Ela mesma se condena na medida em que destrói seus valores humanos; quando se deixa corromper e desviar os seus recursos e suas riquezas pelas mãos de bandidos que roubam dos pobres. Ninguém rouba dos poderosos, pois esses têm suas próprias defesas. Recursos desviados são recursos desviados dos necessitados, dos aposentados, dos que utilizam a saúde pública, a escola pública, da merenda que nunca chegará aos estômagos vazios de crianças vazias de futuro.
O carrasco inglês recebia do próprio governo para executar seus cidadãos condenados e escondia da própria esposa quem era na realidade. Uma nação pode condenar-se ao condenar seus filhos e suas filhas à morte prematura por falta de condições mínimas de sobrevivência. A cabeça erguida sucumbirá ao laço apertado entre as vértebras cervicais e os pés permanecerão dependurados sem chão.
Albert Pierrepoint morreu em 10 de julho de 1992. Resta a pergunta, quem lavará a alma do Brasil?