sábado, 10 de dezembro de 2016

Pe. João Pubben, ANUNCIANDO A BOA NOTÍCIA...





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ANUNCIANDO A BOA NOTÍCIA...

Conhecemos diversos presépios e numerosos cartões de natal que nos recordam o nascimento de Jesus. Apresento-lhes uma figura que Vocês talvez ainda não tenham visto. O desenho foi feito em 1860 pelo artista alemão Julius Schnorr von Carolsfeld (1794-1872).
O quadro surgiu a partir do texto do Evangelho escrito por Lucas: “Os pastores voltaram, cantando a glória e os louvores de Deus por tudo o que tinham ouvido e visto, segundo o que lhes fora anunciado” (2,20). Vê-se, à esquerda ao alto, o anúncio do nascimento de Jesus pelos anjos. Logo embaixo, há a visita e a adoração do Menino Jesus pelos pastores. No centro, três pastores transmitem a Boa Nova a colegas e mulheres. Eles atravessam uma ponte, eles “fazem a ponte” entre o que aconteceu de um lado e os que vivem do outro.
O desenho nos convida a fazer a seguinte pergunta: “Nós, que ousamos nos chamar de cristãs e cristãos, nos reconhecemos naqueles que contam a Boa Notícia ou naqueles que a ouvem?”
Para que o Natal não se torne uma festa romântica, é bom responder esta pergunta, partindo da situação real e concreta em que nós vivemos hoje, no mês de dezembro de 2016.

Feliz Natal, Irmãs e Irmãos,

joão pubben 

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Onde fincarei minha bandeira ?


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Onde fincarei minha bandeira ?

As bandeiras sinalizam a pertença e o seguimento das utopias.
Cada um tem a sua.
Alguns têm a utopia de vencer na vida, galgar postos de prestígio, dinheiro e poder. Outros mais altruístas têm o sonho de ver a igualdade com justiça social. Outros ainda utopias messiânicas da instauração de sociedades governadas por enviados pessoais de Deus.
A imensa maioria, independente da sua utopia particular, pretendeu fincar sua bandeira no seu próprio lugar de origem.
Há uma construção geográfica de vida que faz criar raízes na base das lanças das bandeiras.
O que acontece quando o chão falta?
A última bandeira do cristão é a esperança, mas ela tem que ser fincada no chão, no monte ou na planície, mas sempre na terra, sua terra.
O que acontece quando a terra está consumida pela ganância de todos, indistintamente.
Vemos uma terra arrasada com mastros desnudos e farrapos amordaçados.
Onde fincarei minha bandeira?

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Ferreira Gullar



Tudo foi, é e será sempre criado pela palavra, mas o amor que tudo cria, é poesia.
O poeta não morre, se encanta nas palavras....






domingo, 27 de novembro de 2016

Fidel

FIDEL





Fidel

Morre o homem, nasce o mito, ou seria morre o mito, nasce o homem?
Só a história, soberana como ela só, defini-lo-á.

Réquiem para a Ilha que se tornará Continente.

Assuero.

terça-feira, 22 de novembro de 2016

Advento






Tempo do Advento



Nesse período do ano o mundo cristão católico se prepara para receber a notícia do nascimento de Cristo.
É um tempo de penitência, preparação e conversão.
Um tempo de espera.
Esperemos como se a sociedade estivesse grávida.
Como Maria estava.
Tempo de gestação.
Tempo de mudança, pois o mundo jamais será o mesmo.
Nos ouvidos dos povos não há cantos de anjos, nem milícias celestes. Não há rebentos no deserto nem água, só deserto.
Como fazer brotar a esperança em chão tão árido ?
Como perceber a presença de Maria nos visitando no deserto, pois a nossa velhice de esperança está plantada no deserto.
Mas não foi no deserto que Ela visitou a Isabel sua prima, já de idade avançada?


Assuero

sábado, 19 de novembro de 2016

A inviolabilidade do corpo e a tatuagem




A inviolabilidade do corpo e a tatuagem








A inviolabilidade do corpo e a tatuagem

Há um conceito implícito e explícito em toda cultura desde os primórdios da História da sacralidade do corpo. O corpo também traz em si o símbolo de toda nação à qual pertence.
A questão da virgindade está aí embutida. Só é permitida a 'violação' de um corpo após os devidos ritos religiosos. A questão também da resistência de estrangeiros se casarem com pessoas de determinada cultura. A questão do estrupo.
Uma questão também importante é o conceito de que 'quem abre o útero', isto é o primogênito masculino, tem que ser dedicado (oferecido) a Deus, como primícias. Isto não só entre os humanos mas entre todos os animais. Nas civilizações muito antigas eram sacrificados, primeiros os meninos, mais tarde foi sublimado por animais, e finalmente pelo próprio Filhos de Deus, o que fazemos em todas as missas.
A tatuagem entra aí, de maneira mais branda, na violação do corpo. Sempre me questionei por que Deus não gosta de tatuagens (Lv 19, 28). A princípio pensei que fosse por causa de deixar alguém 'marcado' na própria carne, como os animais o são para afirmar a propriedade do dono. No Egito antigo os devotos de várias divindades assim se marcavam, nos cultos de iniciação de várias religiões de matizes africanas também até hoje; mas analisando melhor vejo que Deus, tendo ojeriza a qualquer tipo de escravidão, abomina qualquer tipo de manifestação que mutile o humano.
A única marca que nos é permitida é o nome.

Assuero.









quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Nova tatuagem














Nova tatuagem


Há uma questão básica que permeia todo o nosso entendimento sobre nós mesmos, a história e a religião. A questão é: temos um corpo ou somos um corpo ?
Para os gregos e os hindus, temos um corpo e uma alma. Um corpo ligado às coisas da terra, do mundo, e uma alma ligada às coisas do céu, espirituais. O corpo seria como uma espécie de 'roupa' que nossa alma veste enquanto aqui na dimensão terrena.
Para os semitas, aqui os judeus, somos um corpo animado pelo 'sopro' de Deus. Somos um corpo, não 'temos' um corpo. Jesus como judeu que é assim considera.
O que fazemos com nosso corpo é a nós mesmos que estamos fazendo de maneira indelével.
Entra a questão da sacralidade da pessoa humana. Para os cristãos a pessoa é um santuário do próprio Deus, que lho habita.
A pele é o espelho da alma. Não é à toa que do mesmo tecido embrionário do qual é gerado o sistema nervoso central (cérebro e medula espinhal) é gerada também a pele.
O que inscrevemos na pele estamos na verdade inscrevendo na nossa pessoa, de maneira irremovível.

Assuero

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Trump



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Trump


Embora não exista monarquia nos USA, o que tranquiliza o mundo é elegendo-se quem quer que seja, lá, o sistema continua existindo e funcionando de maneira previsível, com as instituições fazendo seu papel.

Poderíamos dizer que o presidente administra mas a democracia é quem reina. A verdadeira "Rainha" dos USA é a democracia.

O presidente é como um primeiro ministro.

O complexo sistema eleitoral (há quem o entenda) funciona como um filtro dentro de outro filtro para se evitar que "os aventureiros lancem mão" como na canção brasileira, Samba em Orly.

Cada estado é como um país independente que escolhe os parlamentares que escolherão o "primeiro ministro" o presidente. O que dignifica o cargo é a Democracia, o que legitima é a eleição.

Ainda bem....

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Viver eternamente










                                         Viver eternamente

Os antigos, muito antigos, acreditavam que a alma das pessoas, depois de mortas, ficavam vagando pelos ventos, e que as pessoas reviviam quando seus nomes eram pronunciados.

Sabemos que a respiração e o respirar estão ligados à presença da Vida.

O espírito, o hálito, a palavra, vêm de dentro, são pronúncias do amor de Deus, manifestado pelo seu sopro em todo ser vivente.

Quando os faraós, os reis e imperadores inauguravam uma obra colocavam seus nomes nela ou mesmo nas suas tumbas, para que os que viessem depois e depois e depois pronunciassem seus nomes.

Escritores e pintores deixam suas obras para a posteridade. O movimento em busca da eternização é o mesmo.

Nada há mais poderoso no universo que a palavra.

sábado, 5 de novembro de 2016

Demos contra cracia, ou cracia contra demos....




Demos contra cracia, ou cracia contra demos....



Na monarquia o rei não deve satisfação nem obediência a ninguém, muito menos ao povo. Ele é ungido, por isso sua coroação se faz num templo e não numa casa parlamentar. O poder é passado a seu herdeiro primogênito.



Na tirania, o tirano não deve obediência aos que o escolheram. Geralmente são aclamados por seus soldados ou partidários políticos.Não devem satisfação a ninguém. Quando morrem não têm direito de sucessão sanguínea.



Na teocracia, o sumo sacerdote executa o governo, como representante direto de Deus e aplica as leis das escrituras sagradas conforme o entendimento próprio e dos doutores da lei (teólogos). A sucessão é feita pela escolha entre os pares da casta sacerdotal.



No presidencialismo o chefe é escolhido pelo povo e a ele deve prestar contas de seus atos. Há formas diferentes de presidencialismo. A tentação da maioria dos presidentes é pela monarquia.

A dos tiranos também.

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

TATUAGEM



TATUAGEM








Depois da música de Chico, escrever sobre tatuagem tornou-se uma temeridade, creio que ele esgotou o assunto; no entanto poderia eu dizer: A tatuagem não acrescenta nada ao seu corpo, apenas retira.
Pense nisso.


domingo, 16 de outubro de 2016

Nada tão azul....





Nada tão azul











Nada tão azul como o céu desta paisagem. 

Olhos mouros, olhos de Castela, olhos hereges, muçulmanos e cristãos, olhos de Abrahão, olhos fiéis e infiéis, já alargaram suas retinas fitando esse azul Andaluz.

Que se dirá do verde e das rosas? Talvez algo mais, mas será apenas algo, que não esse azul infinito.





sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Nuvens







Nuvens

Nu vens, nu irás. No ver, verás.
De minha Palavra viverás.
Nem de Pão nem de carne,
Apenas da Palavra.

Quando pronunciadas, as nuvens e as palavras,
que são feitas de nuvens e de luz,
imortalizam.

Pronunciarás meu nome quando me for ?

Em Nuvens irei, em palavra pronunciada ficarei,
Nu.




quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Falar de flores




Falar de flores


Às vezes é preciso falar de flores, como na canção.
É preciso navegar flores, embora não seja preciso, como navegar números.

Flores entram na história da América Latina, nos sepultamentos, nas despedidas.
Entram nos nascimentos.

Nas canções, como são!
Talvez um dia não precisemos mais falar de flores no Brasil,
pois a primavera, quem sabe? Um dia chegue.

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Bombas amigas? Vozes da Síria.....




Bombas amigas?













Quando bombas caem em Allepo não há ideologia. A morte desconhece ideologias.
Vozes que gritavam : Imperialismo ! Imperialismo!
Morte aos Ianques!

Agora calam, agora calam.
As bombas russas doem menos?




As bombas russas doem menos?

Onde estão as vozes?

Só ouço o choro das crianças. Do céu.

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

O Peregrino







O Peregrino










Para onde olhas oh peregrino?
Que descobristes no teu peregrinar?
Alguns corações partidos, alguns olhos sem lágrimas,
algumas orações não atendidas?

E aí peregrino, o que estás a mirar?
A curva do Bojador, o sal de Portugal ou aquela imagem virgem,
dos inconsolados, padroeira?

Para onde vais peregrino, no teu peregrinar?
Procuras lugares ermos, cidades desabitadas,
pessoas mutiladas, mãos esmoleres?
Procuras músicas de valsas não dançadas?

Aquieta-te peregrino, deixa o tempo sozinho, 
que a brisa de colher vem dos campos de trigo,
por onde passaste e não colheste.

domingo, 9 de outubro de 2016

O Rei





O Rei





O Rei

O Rei carrega o cetro e o livro.
A espada inerte na cintura, a capa de pedra
o protege.
A coroa de ferro.
Séculos e séculos o observam.
Vai eternamente subindo essa escalada de pedra.
A capa, o cetro, a coroa, imóveis,
observam também os séculos. 

O Clássico





O Clássico








O clássico repousa entre o passado e o futuro,
harmoniza o presente, estabiliza o existir.
Embora pareça estático,
sustenta a estética, esboça a perenidade,
faz reminiscências da história, entre uma guerra e outra.

sábado, 8 de outubro de 2016

Uma porta que não vai dar em nada





Uma porta que não vai dar em nada













Era uma porta meio janela, meio porta,
Num quarto que talvez sala,
Não entrava nem saía, apenas paisagem,
Apenas passagem.


quinta-feira, 6 de outubro de 2016

HONESTIDADE



HONESTIDADE



Uma narrativa, construída a peso de ouro,
ouro comprado com o dinheiro da corrupção,
por marqueteiros inescrupulosos,
de mãos sujas de petróleo e vermelho.

Justificativa que todos são um pouco desonestos,
que formam um país desonesto,
que as pequenas desonestidades de cada dia,
são somatório para a grande desonestidade.

O pecadinho de cada um justifica o PECADO
do mundo? Ora quem arranca um pedaço de casca de árvore pública,
para fazer um chá para sua dor de barriga, já que não em acesso 
ao posto de saúde, é tão culpado quanto quem rouba todo o dinheiro
da saúde pública, que serviria para cuidar da dor de barriga de José?

Triste conto do marqueteiro, triste obtusos cidadãos que acreditam
em sofismas e falácias, tristes 'sábios pensadores' que acreditam.












terça-feira, 4 de outubro de 2016

Caminhos coloridos







Caminhos coloridos



Deus sopra aos meus ouvidos canções de despedida,
de suave harmonia.
Espero que me levem por caminhos coloridos,
como os caminhos andaluzes.

Deus sopra saudade.
Embora seja dia, amanhã ainda é penumbra.
Amanhã ainda é talvez....

domingo, 2 de outubro de 2016

Apesar da noite




Apesar da noite








 Apesar da noite é fundamental enxergar a luz escondida no pedaço de pão.






É urgente enxergar o humano nas pessoas desumanizadas pelas necessidades básicas não atendidas.

É, apesar da noite, sentir os raios da manhã que virá, e ver, como os cegos, sem tropeçar em dúvidas ou ciladas.

Apesar da noite, é dia na fé.

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

A Conexão Francesa








Filmes que você deve assistir antes de morrer     Resultado de imagem para a conexão francesa


A Conexão Francesa

Título original La French

Data de lançamento 11 de agosto de 2016 (2h 15min)
Direção: Cédric Jimenez
Gêneros AçãoPolicialSuspense
Nacionalidades FrançaBélgica



Excelente filme de ação policial, baseado em fatos, mais que importante para que os brasileiros e brasileiras vejam, ESSENCIAL. Parece que a história se repetiu em espelho no nosso país atual e mostra como se pode fazer um enfrentamento de uma situação com firmeza, seriedade e sobretudo coragem.

Transferido para Marselha, o magistrado Pierre Michel (Jean Dujardin) logo descobre que seu maior desafio será desmembrar uma articulada quadrilha de traficantes de heroína que domina a cidade. Acabar com a French Connection torna-se sua obsessão e Michel dedica anos de sua vida - e um bocado de sua sanidade - à missão, acompanhando de perto os passos de Gaëtan Zampa (Gilles Lellouche), inalcançável chefe do bando.


terça-feira, 27 de setembro de 2016

A Última Tentação de Cristo





Filmes que você deve assistir antes de morrer:

A Última Tentação de Cristo

Título original The Last Temptation of Christ                   Resultado de imagem para a ultima tentação de cristo filme
Ano de produção 1988


Direção: Martin Scorsese
Gêneros HistóricoDrama
Nacionalidades CanadáEua


O filme mostra um Jesus indeciso entre seguir sua missão até o fim ou ‘descer’ da cruz e ter uma vida comum, casando e tendo filhos. Baseado  no romance homônimo de Níkos Kazantzákis, publicado em 1951, o filme é fiel.
Há cenas de rara beleza e de extrema profundidade. Vale a pena notar a atuação facial do ‘anjo’ na figura de uma criança demoniacamente inocente, bem como a pregação de Paulo num cenário de ruínas gregas e um Jesus velho e apático ouvindo quase impassível.



domingo, 21 de agosto de 2016

O Som do Silêncio















O Som do Silêncio


Olá escuridão, minha velha amiga
Eu vim falar com você novamente
Porque a visão suavemente arrepiante
Deixou as sementes enquanto eu dormia
E a visão que foi plantada em minha mente
Ainda continua dentro do som do silêncio
Em sonhos agitados eu caminhei sozinho
Ruas estreitas pavimentadas
Sob o halo de uma luz de rua
Eu virei meu colarinho para me proteger do frio e umidade
Quando meus olhos foram apunhalados
Pelo lampejo de uma luz de neon
Que dividiu a noite
E tocou o som do silêncio
E na luz nua eu vi
Dez mil pessoas, talvez mais
Pessoas falando sem conversar
Pessoas ouvindo sem escutar
Pessoas escrevendo canções
Que vozes nunca compartilharam
E ninguém atrevia-se
Perturbar o som do silêncio
"Tolos", disse eu, "vocês não sabem
Silêncio cresce como um câncer
Escute minhas palavras que talvez eu possa te ensinar
Pegue em meus braços e talvez eu possa te alcançar"
Mas minhas palavras caíram como gotas silenciosas de chuva
E ecoaram nos poços do silêncio
E as pessoas curvavam-se e rezavam
Ao Deus de neon que elas criaram
E a placa cintilou o seu aviso
E as palavras que estava formando
E o aviso disse
"As palavras de profetas
Estão escritas nas paredes do metrô
E corredores de apartamentos"
E sussurrou no som do silêncio





Versão para o português da música The Sound of Silence de Simon and Garfunkel 1964.