segunda-feira, 27 de março de 2017

D. Marcelo Carvalheira







D. Marcelo Carvalheira


Hoje o vejo com a face serena repousando ainda na Sé de Olinda, com as vestes episcopais e uma cruz de madeira no peito.
Antes de seguir para Guarabira e depois João Pessoa, descansa um pouco, perto do Dom, de Lamartine e de Pe. Henrique.
A cabeça voltada para o altar e os pés para a porta da catedral, como se velam os bispos e os padres. Aqui bem perto do Seminário e do Mosteiro de São Bento.
As paredes e os pátios do Seminário Maior Nossa Senhora da Graça, fundado em 1800, podem ouvir o jovem e brilhante seminarista com 16 anos adentrando naquela casa em 1944 e em poucos anos seguir para a Universidade Gregoriana em Roma até 1956, tendo sido ordenado em 1953.
O que minhas lembranças sobre D. Marcelo me permitem dizer com a liberdade de quem não é historiador, apenas um amigo e admirador?
Era o menino dos olhos de D. Helder, diretor espiritual e professor de teologia do seminário e primeiro reitor do seminário do Regional NE II da CNBB, um dos assessores mais próximos do Dom.
Foi preso pelo regime militar e torturado psicologicamente. Conta que muitas vezes, durante a prisão, seus algozes faziam interrogatórios exaustivos acerca de uma carta que recebeu em grego de um amigo seu e os militares pensavam que era um tipo de código. Muitas vezes o colocaram encapuzado num carro e ameaçavam com morte próxima, outras vezes mostravam notícias de escândalos da Igreja para fazer com que ele desanimasse e entregasse alguns outros presos, um dos quais viu morrer na cela. No último ‘passeio’ encapuzado ele temeu, pois pela primeira vez ninguém falava nada. Silêncio. O carro parou, o levaram para uma casa e quando lhe desvendaram ele estava na casa de um dos torturadores, talvez o chefe, e este pediu para D. Marcelo abençoar seus filhos. Depois o colocaram de novo no automóvel, sem visão, deram muitas voltas e o soltaram num lugar ermo.
Esperávamos que ele fosse suceder a D. Helder, mas nos bastidores de Roma falaram que era para proteger a própria vida dele que assim não fizeram. Passado algum tempo foi nomeado primeiro bispo de Guarabira (na Paraíba) em 1981. Em 1995 foi nomeado arcebispo da arquidiocese da Paraíba (João Pessoa) onde ficou até 2004.
O espírito de D. Marcelo é beneditino. Absorveu e, na medida do possível, praticou o espírito de São Bento. Praticava a ascese. Teve no Mosteiro de São Bento de Olinda a sua casa materna e paterna, sempre. Os seus últimos dias passou na casa da família no bairro das Graças, aqui em Recife. Tive uma alegria especial, pois há pouco tempo, fui juntamente com D. Fernando Saburido (beneditino) e com o diácono Mivacyr Lima visitar D. Marcelo e levar a eucaristia.
Quem o ver sereno e tranquilo assim, como eu o estou vendo, não imagina as tribulações que este amigo de Deus passou e o testemunho vivo que prestou da presença de Cristo junto aos irmãos e irmãs de todo Brasil, especialmente os mais carentes. Cumpriu na carne o cuidado com os famintos, os sedentos, os nus, os doentes, os presos e os perseguidos.
Agora de despede de sua Olinda e Recife, de sua Guarabira e de sua querida João Pessoa, no último passeio, sem vendas nem limites, um passeio pleno de luz.

Assuero Gomes
Cristão católico leigo da Arquidiocese de Olinda e Recife




quinta-feira, 23 de março de 2017

“Caminos andaluzes que conduzen a Gaudí”





“Caminos andaluzes que conduzen a Gaudí”



Prezado leitor, permita-me apresentar o projeto em execução, “Caminos andaluzes que conduzen a Gaudí”. O monumento está sendo construído na sede do Sindicato das Médicos de Pernambuco SIMEPE, uma das entidades sindicais mais antigas do Brasil, fundada em 1931, e que congrega mais de cinco mil médicos associados, e representando a totalidade dos médicos pernambucanos.
Por que homenagear a cultura espanhola?
O tempo de Cervantes que se comemora no mundo todo. A arte da Andaluzia que tem a ligação com nosso estado a partir do nosso poeta João Cabral de Mello Neto que elegeu Sevilla como sua segunda terra e a beleza exuberante e original da Catalunya nas formas e cores de Gaudí.
O monumento.
No pátio interno do prédio do sindicato com uma área de 400 m ², existe um mural de 60m² inaugurado em 2010 chamado “Tributo a Gaudí”. Estamos construindo de cada lado um monumento que consta de arcos mudéjares, como os da Andaluzia (Alhambra, Alcazar de Sevilla, etc) e portais com temas e adornos arabescos sustentados por colunas e ao fundo paredes separadas adornadas com símbolos de Castella (escudo e brasões) e muitos outros adornos.
Vamos tornar o monumento visível público com a derrubada do muro atual e construindo um de vidro blindado.
Localização.

O SIMEPE tem sua frente à A. João de Barros 587, no Recife e lateralmente, onde daremos visibilidade com o muro de 25 metros, na Rua Leopoldo Lins.


O trabalho já vai em andamento há quatro meses e calculo mais uns 45 dias para o término.
Posto em seguida algumas imagens iniciais.



 MODELAGEM DOS ELEMENTOS