sexta-feira, 30 de junho de 2017

6 Minhas memórias da Igreja de Olinda e Recife


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6      Minhas memórias da Igreja de Olinda e Recife






O que me parecia até meados da década de 80 era uma Igreja unida, com diversas matizes em cada paróquia e em vários movimentos, cada qual com seu carisma específico, vivendo de maneira harmoniosa.
Percebi alguns grupos minoritários que se rebelavam contra o pastoreio de D. Helder, especialmente os ligados ao Círculo Católico. Como eu estava ainda incipiente nas entranhas da Igreja não vi maiores problemas com tudo isso.
No mundo da política brasileira havíamos saído de uma ditadura militar e após o gigantesco movimento pelas Diretas passamos ao desastroso governo de Sarney seguido dos mais desastrosos planos econômicos do país. O PT é fundado e com ele a esperança do 'novo' ser possível, com as bênçãos da Igreja. O grupo do PSDB também representava uma guinada para a esquerda tendo como base mais os intelectuais que sofreram o exílio. 
A esperança estava de volta. 
Eu ouvia falar de nomes como Gustavo Gutiérrez, Juan Luís Segundo, Leonardo Boff, José Comblin, Rubem Alves, Leônidas Proaño, Frei Betto, Jon Sobrino, Karl Ranner, Pedro Casaldáliga, Oscar Romero, D. Paulo Evaristo Arns, Carlos Mesters, João Batista Libânio, Clodovis Boff, Dussel, Ivone Gebara, Milton Schwants, D. Antonio Fragoso, Paulo Suess,e o nosso, pertinho da gente, Helder Camara, estrelas da Teologia da Libertação. Mal sabia eu, que muitos desses nomes participariam direta ou indiretamente da vida da Igreja de Olinda e Recife e da minha vida.
Nessa década, mais precisamente em 1985, D. Helder por motivo de idade preconizada pelo Vaticano para apresentar sua renúncia ( 1984), foi substituído.
Por mais dois anos a tempestade foi se formando como nuvens negras sobre o Senhor da Noite, e este as atraindo sobre Olinda e Recife. Um tempo de ceifa e colheitas tardias se iniciou.




quinta-feira, 29 de junho de 2017

5 Minhas memórias da Igreja de Olinda e Recife






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Minhas memórias da Igreja de Olinda e Recife 5



Havia uma efervescência de busca pela mística da fé cristã, principalmente de confissão católica. Um núcleo importantíssimo pulsava na Rua do Imperador no convento de Santo Antônio, dos franciscanos, liderado por Frei Aluizio, especialmente nas missas dominicais das 18h. Gravitava em torno dele um grupo muito bom, ligado ao Cursilho de Cristandade. Também aproximei-me dele.
Hoje não sei como consegui ter tanto tempo para tantas atividades.
Em Boa Viagem a igreja nova em plena construção com padre Osvaldo Machado deixando os leigos administrarem bem livres as obras e demais movimentos da paróquia (registro aqui Hercílio e Maria Helena sempre à frente e incansáveis). 
Eu e minha esposa fomos convidados para participar do Encontro de Casais nessa paróquia.
Sempre que podia estava conversando com Pe. Arnaldo e participando das missas no Espinheiro durante a semana, aos sábados em Boa Viagem e aos domingos no Convento de Santo Antonio.
Outro núcleo importante da vida da Igreja de Olinda e Recife era a paróquia de Casa Forte, tendo à frente Pe. Edwaldo Gomes.
A semeadura de D. Helder e dessas comunidades foi farta. 








quarta-feira, 28 de junho de 2017

Minhas memórias da Igreja de Olinda e Recife 4





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Minhas memórias da Igreja de Olinda e Recife 4


A partir da década de 80 mergulhei de corpo e alma na mística da Igreja. Percebi que o que acontece no local, no nosso microcosmo é o que acontece no macro, na igreja universal, católica. As grandes coisas, os eventos, os desastres,os cataclismos, os gestos profundos de fraternidade e misericórdia ou os gestos infames de inveja e disputa, tudo se reproduz dentro da gente, na paróquia, na diocese e no mundo todo.
Nada do que é humano é indiferente a Deus, embora a recíproca não seja verdadeira, pois a maioria dos anseios de Deus, sua vontade e sua Palavra,  são indiferentes aos humanos.
Certo dia passeando com meu filho pequeno no Parque 13 de Maio vi algo se mexendo ou melhor, se debatendo, dentro da água marrom de um pequeno lago no centro do parque (não sei como está hoje). A primeira sensação foi a de que era uma espécie de peixe boi pequeno pois só vi o dorso. Instintivamente puxei aquilo de dentro da água e para minha surpresa era uma criança, morena da cor da água, de mais ou menos um ano de idade, que tinha caído e estava se afogando. Prestei os primeiros  cuidados e procurei alguém responsável. Encontrei uma avó, bem despreocupada. 
Depois disso me dediquei à Pastoral do Batismo na Paróquia de Boa Viagem. Participava do Encontro de Jovens e também da pastoral dos noivos, e posteriormente do círculo de estudos bíblicos.
Interessei-me pelo curso de teologia para leigos na Unicap e frequentei por dois anos. Alarguei minhas fronteiras de conhecimento e relacionamento.
A amizade com padre Arnaldo Cabral e com Pe. Osvaldo também se aprofundava. Comecei a participar de alguns encontros sobre Bíblia também na Paróquia do Espinheiro e fazer parte de um grupo de estudo teológico do CENDHEC.
A figura de D. Helder resplandecia na sua humildade e no amor pelos pobres. Mais tarde, muito mais tarde, Pe. Arnaldo me diria: "nós não merecíamos D. Helder, nós não estávamos preparados para ele." Participei das missas comemorativas do Dom e de outros eventos.
Nuvens se aproximavam da Igreja de Olinda e Recife.



domingo, 25 de junho de 2017

Minhas memórias da Igreja de Olinda e Recife 3


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Minhas memórias da Igreja de Olinda e Recife


Pe. Osvaldo era pároco de Boa Viagem. Naquela época só havia a igrejinha da Pracinha (N.Sa.da Boa Viagem) no terminal. Ele era tipicamente o vigário paroquial naquele modelo clássico de S. João Maria Vianney, o Cura d'Ars. Tranquilo, dedicado ao extremo ao seu ofício, escreveu dois livros sobre matrimônio, gostava de tocar piano, deixava os leigos participarem bem das celebrações eucarísticas (numa dessas foi onde fiz minha primeira homilia), estimulava o grupo de jovens e mantinha pastorais sociais e catequese.
Comecei a participar mais da vida paroquial, e confesso que por muitas vezes, e ainda hoje, ainda sinto falta dessa prática. Essa participação mais efetiva e afetiva começou no ano de 1974. Muitas vezes assistia missa durante a semana no Espinheiro (quando comecei a perceber e admirar a profundidade do pensamento e da prática de Pe. Arnaldo Cabral).
Em Boa Viagem participei do curso de batismo, tive os primeiros contatos com o Movimento de Renovação Carismático, Oficina de Orações e iniciei também de maneira incipiente atividade na pastoral social na comunidade Padre Giordano.
A relação com a Igreja era harmoniosa. O ano de 1980 foi marcante para mim: casei, conclui o curso de medicina, o papa João Paulo II veio aqui em Recife e D. Helder era nosso arcebispo. Eu estava presente no 'aterro' Joana Bezerra onde o saudou a multidão, nunca vi tanta gente, eu numa ambulância com outro médico e um enfermeiro e o motorista para eventual socorro.
Nessa época também eu trabalhava em Dois Unidos, no posto de saúde do bairro e já ouvia falar do Pe. João Pubben.
Pe. Osvaldo começava a construir a igreja nova de Boa Viagem (hoje N.Sa. de Fátima) com uma grande motivação dos paroquianos. O terreno, que era destinado a uma praça, totalmente alagado, onde havia até camarão para se pescar, nunca foi usado para esse fim, foi então trocado com a prefeitura pelo terreno da Pracinha. Lembro de cada coluna, cada banco, cada dedicação para a ereção dessa igreja.
Bons tempos aqueles, como uma brisa, nem mesmo prenunciavam tempestade. 



sábado, 24 de junho de 2017

Minhas memórias da Igreja de Olinda e Recife 2




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Minhas memórias da Igreja de Olinda e Recife


Entre os anos de 1966 até 1970 o que então eu considerava um período de certo 'ateísmo' ou descrença (talvez uma pequena madrugada da noite escura de João da Cruz), me levou a questionar a existência de Deus e a pesquisar (na minha infância da fé) as diversas religiões ou manifestações divinas.
Não ia mais à Igreja.
Numa destas tardes aos 14 anos, vivenciei uma experiência pascal que mudou minha vida. Breve, profunda, mística, sutil e inesquecível, como todas elas o são.
O período de buscas então se aprofundou e se intensificou, sem mais nenhuma dúvida optei (ou optou-se em mim) a certeza cristã manifestada na mística católica. 
A lembrança desse período é a de frequentar mais assiduamente a igreja matriz do Espinheiro, ver Pe. Arnaldo Cabral celebrando (achava ele muito antipático e exigente), lembro ainda de alguns comentários sobre D. Helder (meu pai chegava às vezes comentando que D. Helder fora proibido de falar na televisão e nas rádios e que se o arcebispo escrevesse alguma coisa o governo teria que ver antes). Foi nesse período que pensei na morte de Pe. Henrique.
A partir de 1974 conheci padre Osvaldo Gomes Machado na paróquia de Boa Viagem e iniciei uma nova etapa em relação à nossa Santa Madre Igreja. 

sexta-feira, 23 de junho de 2017

Memórias da Igreja de Olinda e Recife



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Minhas memórias da Igreja de Olinda e Recife

1 - A imagem mais antiga de uma missa que me permeia a mente é na Igreja Matriz de Santo Antônio, no centro do Recife, celebrada em latim com o padre de frente para o sacrário e logicamente de costas para a assembleia. Não sei quando foi, mas deve ter sido por volta de 1961 (então com 6 anos) e com meu pai.
Depois, já celebradas no nosso vernáculo, as missas na capela da Cruzada (de Ação de Social) na rua Cônego Barata, no bairro da Tamarineira, as quais era levado pela família amiga dos Mendonça Brasileiro, quase todo domingo às 9h ainda na década de 60.
Lembro ainda das trezenas de Santo Antônio, da devoção de minha mãe, onde cada noite no mês de junho, uma família se comprometia com os enfeites do altar nas casas, e lembro das ladainhas cantadas e dos fogos de artifício. Hoje vejo como nesses festejos as divisões sociais (rígidas na época) se diluíam. A trezena era celebrada na casa da lavadeira.
No mais, a preparação da minha primeira comunhão no Colégio São Luís em 1966.

domingo, 18 de junho de 2017

Máfia Brasileira


Máfia brasileira






Nunca antes nesse país o crime se organizou tanto. Sob a batuta do PT, exportou corrupção, internacionalizando o crime, de uma maneira que faria a Máfia italiana parecer jardim de infância. Agora as famílias dos partidos estão juntas para acabar com a investigação. 
E o pior: tem gente que acredita que roubaram para os pobres!!!!!!
Pobre país esse nosso.


sábado, 17 de junho de 2017

Chegada ao porto







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Chegada ao porto


Travessia difícil, vento, mar revolto, sol, chuva, ondas imensas, calmaria, noite tenebrosa.

Chego ao porto, finalmente.

Na tranquilidade, me dou conta que não tenho mais o mar.

Nem o sol, nem as estrelas, nem o navegar.

Apenas o porto.

Apenas o porto.

quarta-feira, 14 de junho de 2017

Arnaldo Cabral, um padre, um amigo e mestre.










                                        Ivone Gebara, José Augusto, Comblin, Arnaldo



Arnaldo Cabral, um padre, um amigo e mestre.




Por que não esperaste por novembro, meu amigo? Teu mês é novembro, como o verão, como o mar que miras do Seminário de Olinda, desde que te encantaste e te tornaste em coqueiro de alvas folhas em palmas, guardião daquela casa e daquele mar. Pudesse eu te reter aqui colocaria no frontispício dessa casa: “Aqui mora eternamente Padre Arnaldo Cabral”. Certamente a Matriz do Espinheiro ficaria com ciúmes, mas aquele que tem um coração tão grande caberia morar também naquela igreja.
Agora não importam os novembros que passarás longe de nós, nem importa mais contar os anos de uma longeva vida dedicada à Igreja. Agora estás fora das garras e amarras do tempo, da dor, do envelhecimento, da limitação. Só uma mente privilegiada como a tua superada apenas por um coração de graviola (tu bem sabes a que me refiro) de um imenso amor, é onde habita neste instante eterno, no recôndito do Altíssimo.
Que mistério tiveste em esconder dos mais afastados teu espírito afável e teu humor refinado, envolvendo-te numa capa austera de implacável autocontrole, capa esta que desvencilhada pela amizade dos que te são eternamente próximos logo mostrava um coração doce, uma amizade sincera e uma admiração cada vez maior e mais profunda.
Tanto serviço serviste a essa Igreja desde longas homilias que fazem falta até hoje, à formação de jovens seminaristas amedrontados nas primeiras aulas com a severidade do professor e diretor espiritual que depois se tornaram homens de bem, e aqueles que perseveraram espalharam conhecimento e dedicação como padres , foste mestre de bispos e muito mais, mestre de admiradores.
Já estás entre teus amigos e irmãos, Marcelo Carvalheira, Miguel Valverde, Antonio Morais, Carlos Coelho, Lamartine, Helder Camara, Pe. Henrique, Comblin, teu pai e tua mãe, e entre teus pobres, meninos de rua do Espinheiro. O Projeto Salvação, o Cursilho de Cristandade, Iter, Serene II, o Dom da Partilha, e tanto e tanto mais que levas contigo na tua derradeira bagagem.
Quanto aprendi de ti?! Especialmente a amar esta Igreja e a conhecê-la melhor, a respeitar as nossas e as limitações dos outros, a rir com as histórias dos bastidores eclesiásticos, do passado que em nós são presente sempre. Aprendi e não segui teu rigor na austeridade consigo mesmo, lembro com carinho de teu alívio quando D. Saburido te dispensou (devido à idade e saúde) de rezares o breviário diariamente como obrigação e como ficaste alegre com sua visita.
Hoje a Igreja de Olinda e Recife está mais pobre, o Seminário a ser reconstruído, e a Matriz do Espinheiro mais triste. Tenho pena daqueles que não vão te conhecer mais de perto. Não gostavas de escrever, o dom maravilhoso da oratória fez tuas palavras ficarem guardadas nos nossos corações, mas penso quando todos formos embora... isso eu falava muito contigo.
Acabo te pedindo perdão pela minha fraqueza de não ter ido te visitar mais vezes nos últimos tempos: doía-me muito ver o esquecimento turvar uma mente como a tua que admiro e admirarei sempre. O discípulo fraco não absorveu tudo do mestre. Reze por mim e por todos nós, teus amigos, alunos e admiradores, sempre!

Assuero Gomes

Cristão católico leigo
da Arquidiocese de Olinda e Recife



terça-feira, 13 de junho de 2017

Pe. Arnaldo Cabral, uma homilia viva






MISSA EM COMEMORAÇÃO DOS 50  ANOS  DE ORDENAÇÃO EPISCOPAL DE DOM HELDER CÂMARA
HOMILIA: Pe Arnaldo Cabral

Eu gostaria de interpretar as intenções do outro. Mas eu tenho pra mim, que quando Pe. João anunciou que eu iria pregar e fez  questão de ressaltar por ser o mais velho, ou por ser velho, eu acho que ele teve a intenção muito boa. A intenção de captar para mim a benevolência de vocês. Que vocês sabem como diz sabiamente o povo: o velho não liga coisa com coisa. Então,  muitas vezes eles se perdem justamente porque é um fenômeno próprio da velhice. Não para todos mas, que o cérebro cria uma enzima e um dos efeitos da qual é tornar quase indomável a imaginação. Então, enquanto ele diz uma coisa aprece uma outra  imagem. É muito fácil perde-se, porque essa imagem domina e ele esquece o que estava dizendo. Aí  vai falar de outra coisa. Essa experiência que talvez vocês já tenham tido e que podem ter agora.
O Evangelho da missa de hoje, seria bem mais talvez,  expressivo, se a igreja não tivesse feito desta parábola três mensagens para os diversos anos litúrgicos. Então  a parte que nos toca hoje é apenas o inicio desta revelação de Jesus como bom Pastor. E antes de se afirma realmente pastor, Jesus se afirma a porta. E como nós sabemos que a porta, de certa maneira,  simboliza dois elementos fundamentais na construção da nossa personalidade, a segurança e a liberdade, que a porta fechada traduza até certo, a segurança, o estar protegido, de fatores talvez adversos. E a porta aberta é a liberdade, é o caminhar e estes dois elementos são indispensáveis, para que aja uma formação sensata e equilibrada, para que haja pessoas realmente,capazes de caminhar racionalmente, porque possuidoras destes dois pilares da sua personalidade. Tem segurança e tem liberdade. Todo  problema é saber usar esses dois aspectos. Então, Jesus  dizendo-se  a porta Ele começa a revelar-se para nós como esta garantia de que seguindo-o nós teremos a certeza de caminhar na rota certa. Aquela de fato nos conduz, como diz os salmos, às pastagens verdejantes. Por falar nos salmos, vocês sabem que esta imagem de pastor que Jesus se atribui , não é original dele. Já o próprio Deus se afirma o pastor. Pastor dos pastores. O pastor que será o pastor do seu povo, quando os pastores a quem ele confiou a guarda, o encaminhamento das ovelhas, falharem, não tendo a preocupação, maior, de cuidar das que se afastam, das que se perdem, das que estão doentes, daquelas mais fracas que necessitam de uma assistência ou de uma presença mais característica,  mais forte. E por falar nisso, o salmo que nós cantávamos  ou ouvimos, dar bem uma imagem do que seria um pastor na civilização em  que Jesus viveu. Para nós, possivelmente, não tem nenhum outro, maior, significado do que ser um salmo que se canta freqüentemente na liturgia da igreja. Mas o pastor na realidade no tempo de Jesus, tinha uma função maternal, para com as ovelhas. Esse salmo celebra em algumas passagens esta dedicação, esta generosidade, inclusive, no enfrentar perigos, no afrontar dificuldades muito graves não só para conduzir realmente, a igreja à boas pastagens e águas salutares mas, a impedir que inimigos outros não só, lobos animais mas, também lobos humanos, prejudicassem as ovelhas e até as matassem. Do  outro lado, carinhosamente lembra o salmo que o pastor cuida do embelezamento das ovelhas, que o pastor as limpa daquilo que elas poderiam ter alcançado no seu caminhar, nas pastagens. Tem uma delicadeza materna. É uma presença a qual se une não só a confiança pela força, pela capacidade de ajuda-las a caminhar caminhos bons, mas também é essa atividade delicada,
terna, da mãe que cura, que cuida desses sintomas. Então Jesus não se satisfaz com essa imagem. Ela é muito bonita. Ela implica realmente, em muita dedicação. Ela revela uma sensibilidade muito forte para o outro, para o pequeno, para o débil mas, ela  não satisfaz. E nós então iríamos ver mais adiante, eu sou o bom pastor. O bom pastor  dar a vida pela suas ovelhas. Então, não há mais limite. Então, não há mais termo na generosidade da doação. Ninguém dar maior prova de amor do que aquele que dar a sua vida. E esse pastor, esse ministério de pastor, na expressão de tornar presente no mundo, esse pastoreio especifico de Jesus  é confiado a igreja através, daqueles que são escolhidos para isto. Então, em todas as comunidades cristãs,haverá sempre alguém que recebeu de Deus o mister de ser pastor. De conduzir as ovelhas. De guia-las para pastagens fecundantes de preveni-las do perigo, de defende-las até dando a vida, para impedir graves perigos. Caracterizadamente na igreja, depois do papa, o pastor é o bispo. Segundo  as letras, inspiradas que nós temos, segundo os comentários de maior ou menor relevo e autoridade, que nós conhecemos, não há que duvidar que a igreja de Deus deve ter pastores. Que não se alimentem das ovelhas, nem se vistam com a lã das ovelhas, conforme tão fortemente é acentuado pelo profeta Ezequiel no cap. 34. Quando o pastor maiúsculo, rejeita fortemente os pastores subordinados, que em vez de dar a vida pelas ovelhas, se servem das ovelhas, para beneficio de sua própria vida. Isso existe. Isso é normal. Aliás, o cardeal Martini comentando esta parábola para padres recém formados , de dois ou três anos de ministério, ele faz uma advertência muito de pastor, que ele o é. Muito de pai. Que eles tenham presentes que ninguém, ninguém,  pode chegar onde Jesus chegou. Ninguém pense que é possível imitar-se o ser pastor como Jesus, dentro do contexto da humanidade que somos todos. Então por isso, a parábola é não só um estimulo mas, ela quer que na historia da igreja haja pessoas que até certo ponto, possam traduzir na sua vida o que há de mais característico na pessoa de Jesus. Que possam torna-lo presente como pastor, captando o seu modo de agir, aqueles traços que mais são capazes de manifestar de um modo menos imperfeito, a pessoa de Jesus. E nós sabemos que nas analises que se tem feito sobre qual seriam hoje os comportamentos mais característicos de Jesus, que influenciam mais fortemente as pessoas que causam hoje mais impacto, que podem ser convite mais fortes não só, para aceitar Jesus, mas tê-lo realmente, como o ideal de sua  vida. E voltando ao princípio, reconhecendo que a cabeça já não está muito segura, eu vou vê se  consigo ler e entender o que eu escrevi. Que também isso as vezes falha. Então, entre as coisas que são quase que plenamente, aceitas por todos, há muitas outras, que caracterizam de um modo muito singular Jesus o Pastor , então , escreve-se assim: primeiro a singular atenção de Jesus ao sofrimento humano. E eu se quisesse fazer uma perguntaria: será que algum de nós teve a graça de conhecer ou de conviver com uma pessoa que tivesse maior sensibilidade humana para com os pobres, para com os sofredores, para com os humildes, para com aqueles que quase não são , do que  Helder Camara? Será que a sua vida não foi em toda a sua historia, pelo menos quando nos a conhecemos aqui na arquidiocese, um sentimento só, de dedicação, de luta, de sensibilidade para com os que passam fome, para com os que são miseráveis, em todos os aspectos ? Nós podíamos dizer, que essa é a grande tese, hoje,  que se levanta em relação a autenticidade da igreja a seguinte, quanto mais parecido a Jesus, tanto mais autentico. Quanto mais semelhante no seu proceder, no seu agir a Jesus tanto mais autentico. Essa tese é colocado por autores diversos, para analisar a veracidade da igreja hoje, na sua estrutura e no seu comportamento atual. Mas ela implica também, num convite para que cada um de nós que é discípulo de Jesus, procure analisando-se a si mesmo descobrir se há alguma afinidade, se há alguma semelhança, se alguém poderia perceber no meu agir, no meu proceder, algum traço por mais fraco que seja, do agir do ser de Jesus. Eu creio que essa sensibilidade para o pobre canoniza esse aspecto da semelhança de Jesus pobre com o servo pobre, tão pobre, tão humilde, que diante de uma imagem de São Vicente de Paulo , pedia a Deus a graça de sermos todos uma sombra da sombra de São Vicente de Paulo. Não para ser uma sombra de São Vicente , mas da sombra  de São Vicente de Paulo. A profunda humildade, a consciência muito reta, de que ainda há distâncias muito grande, entre aquilo que poderia ser. Naturalmente em consonância com esse amor ao pobre, que também é analisado por muitos como sendo uma sinal da autenticidade da pobreza em cada um de nós. Vem então, o próprio despojamento na vida, o libertar-se de mil e mil coisas que nos escravizam de tal maneira, que vendo intelectualmente, como deveriam ser. Nós não temos capacidade. Nós ficamos sem saber como eu não ser assim? Como é que eu posso mudar, como é eu posso sair dessa situação, para realmente,  despojar-me? Ser pobre não só,  economicamente, também isso hoje não é considerada a maneira mais  perfeita de ser pobre. Isso é uma exigência da essência da pobreza. Ser pobre realmente. Mas ai cismar com quantas coisas que não consegue superar mesmo, tendo consciência de que aquele seu modo de agir , de proceder,  não está conforma ao proceder de Jesus. Pobreza trás humildade de coração, trás simplicidade. Se eu quisesse apresentar aqui vocês tem, eu diria por assim dizer,    os mais categorizados, especialistas na história do Dom Helder .Conviveram com ele muito intimamente, muito profundamente. Eu vivi muito a margem. O Pe. João e o Pe. Edvaldo poderiam dar exemplos e mais exemplos mas eu me impressiono com poucos exemplos, que me bastam, para sentir essa beleza de uma pessoa apaixonada realmente,  pelo pobre, pelo humilde que, então vai a  procedimentos que nos parece até reprováveis. E pra muita gente que encontro, que loucura! que coisa mais sem sentido! E o primeiro fato é o seguinte: aconteceu no Pentecostes , 1966 se não me engano, uma cheia aqui. Era muito comum nos anos passados. E parece que pela madrugada chuva torrencial, as emissoras de rádio e televisão noticiando o que estava acontecendo aqui e ali, barreiras que cai,famílias que perdem tudo, estão abandonadas, riachos que enchem  e  o povo assim e uma missa solene pontifical, marcada na Igreja de são Pedro dos Clérigos, na qual ele,  o bispo Dom Helder, devia ser o celebrante. Acontece o que ? procura-se o bispo. Telefona-se para o palácio o bispo não está em casa, ninguém sabe pra onde foi o bispo. Celebra-se a missa que não é mais pontifical. Que é solene mas, solene, só no rito porque nem gente para participar existia. E onde está o bispo? Ele estava onde devia está. Ele estava onde o seu coração o levava para está. Onde estava o Cristo real, físico, naqueles pobres, naqueles sofredores, naqueles flagelados, nas favelas e nos morros do Recife. Dom Helder estava entre os pobres, vítimas da cheia. Não foi resolver o problema, não foi dar solução. Mas, foi levar a presença amorosa de Jesus. Foi comunicar a esperança e que aquilo poderia mudar, porque havia alguém que ainda sofria, sentia, que ainda vivia o sofrimento, a dor, a humilhação do pobre.
Outro fato pequeno também que me vem a mente, acho que eu escrevi alguma coisa aqui. Uma certa ocasião, em que alguém pediu uma esmola, uma ajuda e isso é muito comum. E ele dava assim sem saber o que estava dando. Botava a mão no bolso e dava aquilo que tinha. Acontece que uma dessas vezes a coisa não saiu muito certa. Ele deu, não sei se uma cédula, uma esmola a um pobre e o pobre revoltou-se: “como é que o sr. Dom Helder, me dá uma porcaria dessa. O que é que eu vou fazer com isso? Isso não serve pra nada não, eu não quero isso não ”., jogou lá. Ai meu Deus do Céu ! e o bispo ajoelhou-se para apanhar aquela coisa devolvida, pois a mão no bolso, tirou também outra coisa que eu não sei se ele procurou saber quanto valia, colocou a mão esquerda sobre o ombro do pobre, entregou-lhe então aquele donativo. A pessoa que estava com ele, disse: “ mas Dom Helder , o fazer uma coisa dessa , o homem disse tanto desaforo com o senhor. Ele respondeu: mas foi tão pouco o que eu tinha dado a ele. Essas coisas não se inventam. Essas coisas não se improvisam. Essas coisas se vivem. Se quiserem também devem ser bem conhecidas, eu não sei.????já é num plano diferente, institucional. E depois de uma grande  luta jurídica, do administrador da Diocese, conseguiu que a Diocese tivesse ganho de causa numa questão dos terrenos lá do Janga, coisa realmente muito valiosa naquela e até, muito mais  hoje. Então foi lá todo feliz, comunicar a Dom Helder que a Diocese tinha ganho a questão, que agora os terrenos todos eram da Diocese. Então era se cuidar de fazer um loteamento para vender. Ele olha assim para pessoa e diz: “ Arquidiocese de Olinda e Recife vender terrenos aos ricos para os ricos? Não isso não... Não fulano, o terreno vai ser loteado, amos pensar direitinho. Vai ser loteado para os pobres. O administrador fez ainda uma tentativa de alguma coisa que pudesse  significar a vitória jurídica. Então Dom Helder, vamos fazer assim: quando tudo estiver pronto a gente convida a imprensa, a televisão para inaugurar esse terrenos que vão ser para os pobres. E ele disse assim: “Olha fulano, o que o Evangelho diz; não saiba  a mão esquerda  o que fez a mão direita”. E o terreno foi realmente loteado para os pobres. Teríamos a tentação de falar da Igreja Pobre. Mas, já são quase meio dia. É muito bonito a gente ver como Dom Helder foi realmente, uma figura. Não só um protagonista mas, um pioneiro mas, alguém que parece ter uma missão especialíssima do Espírito Santo, para viver não a Igreja para os pobres mas, uma igreja pobre. Uma igreja  dos pobres. Aqui eu copie de um autor que eu admiro muito! Teólogo latino americano, Consobrino. Num dos folhetos dele chamado: Ressurreição da Igreja. Que eu alias emprestei a um religioso, porque tem um artigo inestimável, sobre “ Os Votos Religiosos na América Latina”e eu não sei o que aconteceu que ele gostou tanto, que nunca mais me devolveu. “ Sair desse quadro que nós temos, e nós lhe perguntamos, qual o lugar do pobre na igreja de Jesus Cristo. O pobre é objeto de caridade. As mais eficientes comunidades católicas nesta linha da pobreza, se limitam e fazem aliás, com muito mérito, benefícios para os pobres. Criam situações pra promover sem dúvida nenhum, até certo ponto hoje mas, principalmente para ir ao encontro das suas necessidades imediatas. Eles não tem vez nem voz, na igreja. Não tem nem lugar. Fui vigário no Espinheiro 45 anos e posso falar , porque não estou falando de ninguém, estou falando a verdade. A gente se pergunta: Qual é o lugar do pobre na igreja ? Na igreja material. Não tem lugar para o pobre. ?? abriu uma capelania , bem pertinho de uma favela, não tem um pobre na igreja. Um pobre. Uma pessoa que se caracterize assim, com o seu modo de vestir com pobre, não tem uma pessoa na igreja. Então, a igreja que Dom Helder queria, que ele viveu. Não sei se a mensagem ele recebeu de João XXIII, que é uma coincidência muito profunda, entre o pensar de pensar e o querer de João XXIII e de Dom Helder. D João XXIII não ficou frustrado porque morreu logo e talvez,  os santos não se frustrem. Porque o que ele queria, através do Cardeal???era levar para o Concilio uma mensagem que realmente, fosse as estruturas que reformulassem essa imagem de igreja que não tem, me parece, nenhum semelhança com Jesus Cristo.  Pelo menos, o Jesus Cristo histórico que nos conhecemos pelos Evangelhos. Essa, o apoiar-se no poder acaba sacralizando, legitimando e imitando o poder. Justificando. É todo esse comportamento que nós vemos atualmente, bom relacionamento, respeito ali, essa situação que todos nós conhecemos. Associada aos poderosos  a igreja se torna inevitavelmente, rica e poderosa. A luta por uma igreja pobre. Não são só os  cristãos pobres. Sem os cristãos pobres não haverá igreja pobre. Mas essas coisas não se separam assim. É necessário que haja uma igreja pobre, para que os cristãos sejam pobres. E como infelizmente, a igreja não é pobre, é difícil para os cristãos aceitarem a pobreza. Embora, eu pudesse citar aqui a Madre Tereza de Calcutá, quando alguém lhe perguntava, muito interessado na opinião dela, “O que é que ela achava no seu tempo, o que era mais importante e mais necessário para a igreja e,  ela respondeu, depois de pensar um pouco: “a coisa mais importante para a Igreja, primeira coisa é a minha conversão. Depois de um certo tempo, voltou-se para o jornalista e disse: e a segunda coisa mais importante para a igreja hoje é a sua conversão.
Então, temos dito. Espero, que tenha dado o recado sem muita confusão. Agradeço muito, esta delicadeza de alguém que se lembrou  de mim. Porque na verdade, eu não fui realmente, um, eu não participei muito da vida de Dom Helder. Mas, uma coisa que eu agradeço a Deus e agradeço  a ele, é que ninguém , ninguém  na minha vida em tempo nenhum, me deu uma visão tão positiva, tão rica. Ninguém mostrou de uma maneira tão clara, a verdadeira fisionomia de Jesus Cristo do que Dom Helder.