terça-feira, 1 de agosto de 2017

34 Minhas memórias da Igreja de Olinda e Recife 34


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34 Minhas memórias da Igreja de Olinda e Recife 34




A partir do acontecimento da Jornada Teológica o grupo Igreja Nova ficou mais conhecido e de certa forma ganhou respeito e admiração pois prestamos um bom serviço à Igreja. As notícias e colaborações de artigos aumentaram e se expandiram. Escritores, teólogos, professores ligados a um modelo de Igreja mais progressista começaram a olhar com bons olhos o movimento. As denúncias e pedidos de 'socorro' de comunidades e paróquias que tinha sido atingidas pela administração de D. Cardoso nos procuravam.
Eu comecei também a escrever meu segundo livro que chamar-se-ia Réquiem para um Bispo.
Com a aproximação do Pe. João Pubben e a quebra de resistência de Zezita pude me aproximar mais do Dom. Muitas tardes fui à sacristia da Igreja das Fronteiras a convite do Pe. João e celebramos sentados naquela mesa que ainda  está, juntamente com o Dom. Também aos domingos às 11h como ainda é hoje.
Agradeço a Deus essa graça especial.
Muitas vezes à tarde D. Helder ficava quase sempre sentado na sua cadeira de balanço no terraço (hoje chamado de espaço D. Lamartine) que ele mais gostava. Já foi um período que ele estava mais calado, introspectivo. Nunca se queixou de nada, nem da perseguição nem do silêncio imposto, nem do tratamento de suas varizes, muito dolorido, o qual às vezes emitia um curto gemido de dor. Sempre irmã Catarina junto a ele, bem como Zezita.
Saboreei muitas história do Dom, ouvidas de Pe. João, Pe. Arnaldo, Pe. Renato, Pe. Albérico que o imitava perfeitamente desde os tempos do seminário, Pe. José Augusto, Pe. Edwaldo, D. Marcelo Carvalheira (que queria escrever um livro com As fioretti de D. Helder, como há um de São Francisco, com suas histórias), D. Francisco Austregésilo e D. José Maria Pires, irmã Catarina. 
São tantas que passando o tempo vamos enfeitando, colorindo e dando mais beleza ainda.
Uma que eu gosto muito e veio de Pe. João: toda vez que um pobre, geralmente mendigos, batiam na porta ali do terraço, D. Helder se levantava e ia atendê-los pessoalmente. às vezes podia estar em reunião, mas fazia questão de se levantar e ir, pois dizia (e acreditava piamente) que era o próprio Cristo que estava batendo à porta. Pois bem, em um desses dia (à tarde) ele foi atender um que batia insistentemente, e estava bêbado e começou a insultar o Dom, ameaçando-o. Vendo o perigo, irmã Catarina (Filha de Caridade, da congregação fundada por S. Vicente) pegou um pedaço de pau e enxotou o bêbado para longe evitando assim que o Dom fosse machucado. Ao voltar da calçada, ela esperava que o Dom fosse agradecê-la pelo gesto. Quando entrou, ele estava ajoelhado na capela, aos pés de uma imagem de S. Vicente (que existia no lado direito e foi retirada na última reforma), rezando. Quando ele acabou, a irmã Catarina perguntou, o que ele estava fazendo, ele disse: 'estou rezando para que S. Vicente lhe perdoe da maneira que tratou aquele pobre....'
Assim era D. Helder.
Na verdade como disse Pe. Arnaldo, 'nós não estávamos preparados para D. Helder, nós não merecíamos ele'. 

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